segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os anônimos do arraial

Texto: Ex 31.1-6

      1.     Tanto Bezalel como seu companheiro Aoliabe são homens pouco conhecidos, pouco citados, na 
            realidade são os Anonimos do Arraial
2.     Foram homens de grande valor no cenário histórico de Israel. Deles lemos em Êxodo 31:2,3; 35:30-35; 36 e 38:22.
3.     São anônimos no meio de uma multidão de mais de 2 milhões de pessoas, de 600 mil homens. Deus chama estes dois anônimos.
4.     O que é Anônimo? Anônimo é aquele cujo nome não é conhecido; é aquele que é desconhecido, aquele que não está na mídia, nem nos holofotes, mas está no centro da vontade de Deus. Deus esta olhando para ele, eles estão na mira de Deus.
5.     Foram incumbidos de uma importante e grande tarefa ; a construção do Tabernáculo,

Estes dois personagens nos trazem lições extraordinárias sobre a chamada de um obreiro.
1º - O obreiro precisa ter convicção da sua chamada (31:2 – Eis que eu tenho chamado)

Spurgeon disse – “É- lhe imperativo que não entre no ministério enquanto não fizer profunda sondagem e prova de si próprio quanto a esse ponto”.

Umas das coisas fundamentais para que o Obreiro de Deus tenha sucesso em seu ministério, é este ter convicção de seu Ministério, da sua chamada e da sua Missão.

Lá no meio da multidão, no arraial,  longe dos holofotes, da mídia - o obreiro precisa saber :

1.     Quem chama é Deus – Jer 1.5 ; Am 7.14,15 ; I Tim 1.1
2.     Paulo esta dizendo que não por ordenação humana, ou por imposição pessoal, mas por mandamento divino – Quem chamou foi Deus – Deus já tinha um projeto traçado para você ser um obreiro.
3.     Não sei como foi a sua chamada; mas arde algo no peito algo maior do que nós ; Deus fala conosco  por profecia; pela palavra ; usa as pessoas
4.     Chamada não é se preocupar com o salário , com a fama , com os louros, chamada é paixão pelas coisas de Deus, por almas perdidas ; pela unção; pela graça divina
5.     Pastor Mitchell disse: "Não posso levar as almas para mais perto de Cristo do que eu estou".

2º - A chamada é direta - Deus chama o obreiro pelo nome (31.2 – Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur , da Tribo de Judá)

1.     Ele nos chama pelo nome porque nos conhece – Is 45. 1-5 (150 a 200 anos antes de Ciro nascer Deus já o conhecia)

2.     Ele nos chama pelo nome porque o nome identifica quem eu sou –  (At 9) -
Saulo – Grande / Paulo – pequeno

3.     Ele nos chama pelo nome para mostrar que ele não se esquece de você – Is 40.26

3º - A chamada precisa de ter capacitação - Deus enche o obreiro do seu Espírito (31.3 – e o enchi do Espírito de Deus)

Sem a capacitação espiritual é impossível termos sucesso na obra de Deus.

1.     Quem te capacita é o Espírito Santo - (João 14:17 ; 26 ; At 1.8 ; I Jo 2.20 ; 27)

Um obreiro sem a presença do Espírito Santo

 Um peixe fora da água;
 Um viajante sem destino de chegada,
 Uma folha seca no ar. Um oceano sem águas
 Um céu sem estrelas,
 Uma casa sem alicerce

Um obreiro cheio do Espírito é como uma locomotiva a vapor, nada fica na sua frente.

Passa por cima de todos os obstáculos. Ele vence, supera, suporta, agüenta.

2.     A medida da capacitação: é "plena" ; é cheia ; é vaso cheio  – o encheu ( Ef 5.18)
·         Teriam que ser hábeis no trabalho com metais (construir a arca; propiciatório ; os querubins ;  a bacia ; altar de holocausto; de incenso ; a mesa dos pães ; o castiçal ;)

·         Teriam que ser hábeis em trabalhos com tecidos cortinas ; cobertura ; bordados ; as vestes sacerdotais

·         Se você se encher do Espírito Santo - Deus vai te dar

I – habilidade – (como trabalhar na obra ; como fazer ; que direção tomar)
II – inteligência, conhecimento, sabedoria
III – Deus vai te dar poder ; graça ; autoridade

Deus chama os anônimos do arraial...Ele chamou você, no meio do pasto, ninguém dava nada, mas Deus te achou, te salvou, te ungiu e te capacitou

Moisés era assassino, fugitivo; e ficava se desculpando para não fazer o Deus queria
Josué era um líder ciumento, tinha medo de sombra
Pedro era um pescador rude e impetuoso
Tomé era cético, não tinha fé em Jesus
Mateus era amante do dinheiro,
Simão Zelote era um militante político,
Paulo era inimigo da fé, perseguidor da igreja
Todos eles fizeram a obra de Deus

4º - Quem tem chamada precisa estar disposto a fazer aquilo que Deus ordenou

1.     Pronto a trabalhar  - Ex 31.6 ; 36.1
2.     Fidelidade no trabalho de Deus – 38. 22, 23

A chamada é sua, mas a revelação do modelo, de como é para fazer Deus só dá para o sacerdote. (Heb 8. 5)

Seja fiel a Deus ; ao ministério ; ao seu pastor e Deus te abençoara (I Cor 15.57, 58)

Pr. Ezequiel Barbosa

Curiosidades Bíblicas II






  • A palavra Bíblia vem do grego, através do latim, e significa: livros

  • A Bíblia já foi traduzida por mais de 1500 línguas e dialetos.

  • No ano de 1250 o cardeal Caro dividiu a Bíblia em capítulos, que foram divididos em versículos no ano de 1550, por Robert Stevens.

  • A Bíblia inteira foi escrita num período que abrange mais de 1600 anos.

  • É uma obra de cerca de 40 autores, das mais variadas profissões: de humildes agricultores, pescadores até renomados reis.

  • O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção de algumas passagens em Esdras, Jeremias e Daniel que foram escritas em aramaico.

  • O Novo Testamento foi escrito em grego.

  • O Codex Vaticanus é provavelmente o mais antigo exemplar da Bíblia em forma completa.

  • A primeira tradução completa da Bíblia para o inglês foi feita por Wycliffe, em 1380.

  • Martinho Lutero foi o primeiro tradutor da Bíblia para a língua do povo alemão.

  • Na biblioteca da Universidade de Gottingen, Alemanha, existe uma Bíblia que foi escrita em 470 folhas de palmeira.

  • O Livro mais antigo da Bíblia não é o Gênesis, mas Jô. Acredita-se que foi escrito por Moisés, quando esteve no deserto.

  • O primeiro Salmo encontra-se em II Samuel 1:19-27, uma elegia de Davi em memória de Saul e seu filho Jônatas.

  • A Bíblia contém 1189 capítulos e 31102 versículos.

  • Ester 8:9 é o maior versículo da Bíblia.

  • No livro de Ester e no livro de Cantares não se encontra a palavra Deus.

  • O Antigo Testamento termina com uma maldição, e o Novo Testamento termina com uma benção.

  • O último livro da Bíblia a ser escrito foi III São João.

  • Há 3573 promessas na Bíblia.

  • O livro de Isaías assemelha-se a uma pequena Bíblia: contém 66 capítulos; os primeiros 39 falam da história passada, e os 27 restantes apresentam promessas do futuro.

  • Dos quatro evangelistas só dois andaram com Jesus; Marcos e Lucas não foram seus discípulos.

  • Todos os versos do Salmo 136 terminam com o mesmo estribilho: "Porque a Sua misericórdia dura para sempre."

  • O profeta que veio depois de Malaquias foi João Batista.

  • Judas foi o único dos doze apóstolos que não era Galileu.

  • João era o discípulo mais jovem dos doze.

  • Os versículos 8, 15, 21 e 31 do Salmo 107 são iguais.

  • Matusalém, o homem mais velho da Bíblia, morreu antes de seu pai, Enoque, que ascendeu ao Céu.

  • Ló era o pai de Moabe e Bem-ami, e também o avô dos dois porque "as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai". (Gen. 19:36-38)

  • 42 mil pessoas perderam a sua vida por não saberem pronunciar a palavra Shiboleth. (Juízes 12:5, 6)

  • Adão não teve sogra.

  • A única idade de mulher que se menciona na Bíblia é a de Sara (Gên. 23:1)

  • A primeira cirurgia foi realizada por Deus, quando tirou uma costela de Adão. (Gên. 2:21,22)

  • Além de Jesus, Elias e Moisés foram os únicos homens que jejuaram 40 dias e 40 noites. (I Reis 19:8 e Deut. 9:9)

  • A arca de Noé tinha três andares. (Gên. 6:16)

  • O Salmo 119 é o mais longo da Bíblia, é um acróstico. Os 176 versículos acham-se divididos em 22 seções de oito versos cada uma, correspondendo a cada uma das letras do alfabeto hebraico.

  • Em Gate houve um homem de grande estatura, que tinha 6 dedos em cada mão e em cada pé. (II Samuel 21:20)

  • Elias teve o privilégio de comer uma refeição preparada por um anjo.

  • Existem muitos dados curiosos relativos às estatísticas bíblicas. Um dos números que mais aparece na Bíblia é o 7. Entre os Hebreus este número era considerado sagrado e símbolo da perfeição.

  • Noé tinha 600 anos quando terminou a arca.

  • O sábio Salomão deixou mais de três mil provérbios.

  • A operação matemática mais rendosa foi efetuada por Jesus quando multiplicou 5 pães e 2 peixes para alimentar a mais de cinco mil pessoas e ainda sobraram 12 cestos cheios.

  • Talento era uma moeda grega que valia o equivalente a uns mil e quinhentos dólares.

  • Judas vendeu a Jesus por 30 moedas de prata, equivalentes a uns 20 dólares.

  • Calcula-se que o presente que Naamã ofereceu a Eliseu, do qual Geazi finalmente se apropriou, equivalia a uns 48.000 dólares.

  • Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro dos apóstolos a morrer por sua fé. Foi decapitado a espada por ordem do rei Herodes Agripa I, por volta do ano 44 de nossa era.

  • Paulo, o grande apóstolo dos gentios, foi decapitado em Roma por ordem do tirano Nero.

  • Em I Samuel 17:18, o queijo é mencionado pela primeira vez na Bíblia.

  • Em juízes 14:18 encontramos um dos exemplos mais antigos de enigma.

  • Dois reis dos Amorreus foram postos em fuga por vespões.

  • A última cidade mencionada na Bíblia é a cidade santa. (Apoc. 22:19)

  • Salmo 117 é o capítulo mais curto da Bíblia

  • Salmo 118 é o capítulo que está no centro da Bíblia. Há 594 capítulos antes e depois do Salmo 118

  • O Versículo que se encontra no centro da Bíblia está em Salmo 118:8

  • Diversas curiosidades bíblicas


    Você sabia?
    Sansão matou mais pessoas na sua morte do que em toda a sua vida! (Juízes 16:30)
    Você sabia?
    Salomão compôs ao todo mil e cinco cânticos de louvor a Deus! (I Reis 4:32)
    Você sabia?
    Noé passou 382 dias na arca com a sua família e os animais durante o dilúvio! (Gênesis 7:9-11 / 8:13-19)
    Você sabia?
    Jubal, descendente de Caim, foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta! (Gênesis 4:21)
    Você sabia?
    O Rei Asa morreu porque buscou mais aos médicos do que a Deus! (II Crônicas 16:12)
    Você sabia?
    A Bíblia Sagrada já relatava a invenção de máquinas muito antes da famosa Revolução Industrial de 1789!! (II Crônicas 26:15)
    Você sabia?
    A palavra ''Cristão'' aparece apenas três vezes na Bíblia! (Atos 11:26, Atos 26:28 e Pedro 4:16)
    Você sabia?
    O salmista Davi, além de poeta, músico e cantor foi também o inventor de diversos instrumentos musicais! (Amós 6:5)
    Você sabia?
    O trânsito pesado e veloz, os cruzamentos e os faróis de carros aparecem descritos na Bíblia, no Antigo Testamento, exatamente como nos dias de hoje! (Naum 2:4)
    Você sabia?
    A estatura do gigante Golias vencido por Davi era de seis côvados e um palmo, o que equivale a quase três metros de altura! (I Samuel 17:4)
    Você sabia?
    Matusalém, o homem que mais viveu, morreu com 969 anos de idade! (Gênesis 5: 25 a 27)
    Você sabia?
    O Capítulo 19 de II Reis e o Capítulo 37 de Isaías são idênticos!
    Você sabia?
    O primeiro aposentado que relata a Bíblia foi o Rei Joaquim. (Jeremias 52: 33 e 34)
    Você sabia?
    O primeiro milagre da multiplicação de pães foi realizado por Eliseu centenas de anos antes de Cristo! (II Reis 4:42 a 44)
    Você sabia?
    A Bíblia Sagrada possui 1.189 Capítulos e 31.102 Versículos e aproximadamente 773.693 palavras!
    Você sabia?
    Um grupo de rapazes morreram por terem zombado de um servo de Deus, chamando-o de careca... (II Reis 2: 23 e 24)
    Você sabia?
    O povo de Israel chegou a ser comparado a uma vaca rebelde! (Oséias 4:16)

    Um bom remédio!

    Você sabia que o coração alegre é um bom remédio?? (Provérbios 17:22)
    Você sabia?
    A terra só passou a produzir espinhos depois do pecado da desobediência de Adão. (Gn 3:17-18)
    Você sabia?
    O maior nome da Bíblia Sagrada é Maersalalhasbas, que era filho de Isaías. Seu significado em Hebraico é: Rápido. (Is 8:1)
    Você sabia?
    O dilúvio não foi apenas uma grande chuva, mas foi a primeira chuva que veio sobre a terra. (Gn 2:6 ; 7:4)
    Você sabia?
    O Antigo Testamento apresenta 332 profecias literalmente cumpridas em Jesus Cristo.
    Quando Deus criou o homem já existia o macaco...
    No sexto dia ou período da criação, Deus fez os animais irracionais, inclusive o macaco, cada um "conforme a sua espécie", e depois criou uma espécie especial, o animal racional chamado homem, "sua imagem e semelhança", coroa e Rei da criação. É por isso que até hoje continua assim: homem é homem, mcacaco é macaco... (Gn 1: 24 e 31)
    Epístola da Alegria

    A carta de Paulo aos Filipenses, considerada a "Epístola da Alegria", foi escrita na prisão e as expressões de alegria aparecem 21 vezes na epístola.
    Boa mira!
    A Bíblia conta sobre 700 homens canhotos que atiravam pedras com uma funda e acertavam num fio de cabelo sem errar. (Juizes 20:16)
    Não temais!
    A frase “Não temais” aparece na Bíblia 366 vezes. Uma para cada dia do ano e uma sobra para o ano bissexto.
    Você sabia?
    Até nos dias de hoje, no Oriente Médio, um lugar sagrado não deve ser pisado senão com os pés descalços?
    Você sabia?
    Em Atos 4:13 diz que, Pedro e João, uns dos apóstolos que mais faziam milagres, eram analfabetos e totalmente incultos. Muitos se admiravam pela intrepidez dos dois e pela autoridade que exerciam, mesmo sendo iletrados.
    O Profeta Isaías já sabia que a terra é redonda!
    A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu, de um planeta esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a bíblia. (Isaías 40: 22)


    Curiosidades Bíblicas




    - A Bíblia se divide em duas partes: Antigo Testamento e Novo Testamento. Tem 66 livros, sendo 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento.

    - O Salmo 119 tem, em hebraico, 22 seções de oito versículos. Cada uma das seções inicia com uma letra do alfabeto hebraico, de 22 letras. Dentro das seções, cada versículo inicia com a letra da seção.

    - Que "o caminho de um sábado" era o caminho permitido no dia de sábado; a distância que ia da extremidade do arraial das tribos ao tabernáculo, quando no deserto, isto é, cerca de 1.200 metros.  - O capítulo 19 de II Reis é igual ao 37 de Isaías.

    - No livro Lamentação de Jeremias, os capítulos 1, 2 e 4 têm versículos em número de 22 cada, compreendendo as letras do alfabeto hebraico. O capítulo 3 tem 66 versículos, levando cada três deles, em hebraico, a mesma letra do alfabeto.

    - A Menor Bíblia A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas. Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5 cm de comprimento, 3 cm de largura e 2 cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina, contém 878 páginas, possui uma séria de gravuras ilustrativas e pode ser lida com o auxílio de uma lente.

    - A Maior Bíblia A maior Bíblia que se conhece, contém 8.048 páginas, pesa 547 quilos e tem 2,5 metros de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los Angeles, durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é uma delgada tábua de 1 metro de altura, em cuja superfície estão gravados os textos.

    - Vamos Ler a Bíblia ? A Bíblia contém 31.000 versículos e 1.189 capítulos. Para sua leitura completa, são necessárias 49 horas, a saber, 38 horas para a leitura do Velho Testamento e 11 horas para a do Novo Testamento. Para lê-la audivelmente, em velocidade normal de fala, são necessárias cerca de 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4 capítulos por dia.

    - Tradução: Você sabia que das 2.000 líguas e dialetos falados no mundo, cerca de 1.200 já possuem a Bíblia ou textos bíblicos traduzidos?

    - O nome "Bíblia" vem do grego "Biblos", nome da casca de um papiro do século XI a.C.. Os primeiros a usar a palavra "Bíblia" para designar as Escrituras Sagradas foram os discípulos do Cristo, no século II d.C.;

    - Ao comparar as diferentes cópias do texto da Bíblia entre si e com os originais disponíveis, menos de 1% do texto apresentou dúvidas ou variações, portanto, 99% do texto da Bíblia é puro. Vale lembrar que o mesmo método (crítica textual) é usado para avaliar outros documentos históricos, como a Ilíada de Homero, por exemplo;

    - É o livro mais vendido do mundo. Estima-se que foram vendidos 11 milhões de exemplares na versão integral, 12 milhões de Novos Testamentos e ainda 400 milhões de brochuras com extratos dos textos originais;

    - Foi a primeira obra impressa por Gutenberg, em seu recém inventado prelo manual, que dispensava as cópias manuscritas;

    - A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus;

    - A Bíblia foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época e cultura das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo cacos de cerâmica;

    - Com exceção de alguns textos do livro de Ester e de Daniel, os textos originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da família das línguas semíticas, caracterizada pela predominância de consoantes;

    - A palavra "Hebraico" vem de "Hebrom", região de Canaã que foi habitada pelo patriarca Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur;

    - Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento (sem a inclusão dos apócrifos) estavam compilados desde cerca de 400 a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também pelos Protestantes, Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da Igreja Católica tradicional;

    - A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a partir da Vulgata Latina e iniciou-se com D. Diniz (1279-1325).

    - A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu, de um planeta esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a bíblia. (Isaías 40:22)

    - Davi, além de poeta, músico e cantor foi o inventor de diversos instrumentos musicais. (Amós 6:5)

    - O tio e a tia de Jesus se tornaram "crentes" na sua pregação antes de sua crucificação. (Lucas 24:13:18, João19:25)

    -O nome "cristão" só aparece três vezes na Bíblia. (Atos 11:26, Atos 26:28 e I Pedro 4:16)

    - A "Epístola da Alegria" , a carta de Paulo aos Filipenses, foi escrita na prisão e as expressões de alegria aparecem 21 vezes na epístola.

    - Quem dá aos pobres, empresta a Deus, e Ele lhe pagará. (Provérbios 19: 17)

    - O trânsito pesado e veloz, os cruzamentos e os faróis acesos aparecem descritos exatamente como nos dias de hoje. (Naum 2:4)

    - A mensagem através de "out-doors" é uma citação bíblica detalhada. (Habacuque 2:2)

    - Quem cortou o cabelo de Sansão não foi Dalila, mas um homem. (Juízes 16: 19)

    - O nome mais comprido e estranho de toda a bíblia é Maersalalhasbas - filho de Isaias.(Isaías 8:3-4)

    - Você sabia que a palavra fé é encontrada apenas quatro vezes no Antigo Testamento?
    (Hc 2:4; Jz 9:16, 9:19; e 1Sm 21:5)

    - Você sabia que a palavra "DEUS" aparece 2.658 vezes no V.T. e 1.170 vezes no N.T. num total de 3.828 vezes?

    - Há na Bíblia 177 menções ao diabo em seus vários nomes.

    - O maior versículo é no livro de Ester capítulo 8 versículo 9.

    - O menor versículo é no livro de Êxodo capíluto 20 versículo 13.

    - O versículo central da Bíblia é o Salmo cap: 118 ver:8, o qual divide a mesma ao meio.

    - Os livros de Ester e Cantares de Salomão não possuem a palavra DEUS.

    - A expressão "Assim diz o Senhor" e equivalentes encontram-se cerca de 3.800 vezes na Bíblia.

    - A Vinda do Senhor é referida 1845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo Testamento e 318 no Novo Testamento.

    - A Palavra "Senhor" é encontrada na Bíblia 1.853 vezes e "Jeová (YHVH)" 6.855 vezes.

    - A expressão "Não Temas!" é encontrada 366 vezes na Bíblia, o que dá uma para cada dia do ano!

    - No Salmo 107 há 4 versículos iguais: 8, 15, 21 e o 31.

    - Todos os versículos do Salmo 136 terminam da mesma maneira.

    Eusébio de Cesareia


     
    Foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à história do Cristianismo primitivo. O seu nome está ligado a uma crença curiosa sobre uma suposta correspondência entre o rei de Edessa, Abgaro e Jesus Cristo. Eusébio teria encontrado as cartas e, inclusive, as copiado para a sua Historia Ecclesiae.

    A data e o local exacto do seu nascimento são incertos e pouco se sabe da sua juventude. Conheceu o presbítero Doroteu em Antioquia e, provavelmente recebeu dele instrução exegética. Em 296, estando na Palestina, viu Constantino I, que visitava essa província com Diocleciano. Estava em Cesareia quando Agápio era, aí, bispo. Tornou-se amigo de Pânfilo, com quem teria estudado a Bíblia, com a ajuda da Hexapla de Orígenes e de comentários compilados por Pânfilo, na tentativa de escrever uma versão crítica do Antigo Testamento.
    Em 307, Pânfilo foi preso, mas Eusébio continuou o projecto que com ele tinha começado. O resultado foi uma apologia de Orígenes, terminada por Eusébio depois da morte de Pânfilo, que foi enviada aos mártires na minas de Phaeno, no Egipto. Parece que, depois, se retirou para Tiro e, mais tarde para o Egipto, onde sofreu, pela primeira vez, perseguição. A acusação de que obteve a sua liberdade sacrificando aos deuses pagãos parece ser infundada.

    Voltamos a ouvir falar de Eusébio como Bispo de Cesareia. Sucedeu a Agápio, não se sabe bem quando mas, de qualquer forma, terá sido pouco depois de 313. Pouco se sabe dos primeiros tempos do seu bispado. No entanto, com o início da controvérsia ariana, toma, subitamente um lugar de destaque. Ário pediu-lhe protecção. Por uma carta que Eusébio escreveu a Alexandre, é evidente que não negou refúgio ao presbítero exilado. Quando o Primeiro Concílio de Niceia se reuniu, em 325, teve algum protagonismo. Nem era um líder nato, nem sequer um pensador profundo, mas como homem bastante instruído e autor famoso, caído nas graças do imperador, acabou por salientar-se entre os mais de 300 membros que reuniram no Concílio. Tomando uma posição moderada na controvérsia, apresentou o símbolo (credo) baptismal de Cesareia que acabou por se tornar a base do Credo niceno. No final do Concílio, Eusébio subscreveu os seus decretos.

    A controvérsia ariana continuou, não obstante a realização do Concílio. Eusébio manteve-se envolvido na questão. Por exemplo, entrou em disputa com Eustáquio de Antióquia, que se opunha à crescente aceitação das teorias de Orígenes e, em especial, por este ter praticado uma exegese alegórica das escrituras, o que interpretava como sendo a origem teológica do arianismo. Eusébio, admirador de Orígenes, foi repreendido por Eustáquio que o acusou de se afastar da fé de Niceia. Eusébio retorquiu, acusando Eustáquio de seguir ideias sabelianas. Eustáquio foi acusado, condenado e deposto num sínodo, em Antióquia. Grande parte do povo de Antióquia rebelou-se contra esta decisão eclesiástica, enquanto os antieustaquianos propunham Eusébio como novo Bispo. Ele recusou a oferta.

    Depois de Eustáquio ter sido afastado, os Eusebianos viraram-se contra Atanásio de Alexandria, um oponente muito mais perigoso. Em 334, Atanásio foi intimado a comparecer frente a um sínodo em Cesareia. Ele não compareceu. No ano seguinte, convocou-se outro sínodo em Tiro, presidido por Eusébio. Atanásio, prevendo o resultado, dirigiu-se a Constantinopla, onde apresentou a sua causa ao imperador. Constantino convocou os bispos para a sua corte, entre os quais, Eusébio. Atanásio foi condenado ao exílio no final de 335.

    Nesse mesmo sínodo, outro oponente era atacado com sucesso. Marcelo de Ancira há muito que lutava contra os Eusebianos, protestando contra a reabilitação de Ário. Acusado de sabelianismo, foi deposto em 336. Constantino morreu no ano seguinte. Eusébio não lhe sobreviveu mais tempo. Morreu (provavelmente em Cesareia), em 340, o mais tardar, sendo provável que tenha morrido a 30 de Maio de 339.

    
     Obras  
    Da extensa actividade literária de Eusébio, uma relativamente grande parte foi preservada. Ainda que a posteridade tenha suspeitado dele como ariano, o seu método de escrita tornou-o indispensável; a utilização de excertos cuidadosamente íntegros nas suas citações poupou muito trabalho de pesquisa aos leitores futuros. As suas obras, tornadas de referência, foram deste modo preservadas.

    As obras literárias de Eusébio reflectem o curso da sua vida. No início, dedicou-se à crítica dos textos bíblicos, sob a influência de Pânfilo e, provavelmente, de Doroteu, da escola de Antioquia. Com as perseguições de Diocleciano e de Galério, dirigiu o seu interesse para os mártires (tanto os da sua época, como os anteriores). Esse interesse levou-o a escrever, praticamente, uma história da Igreja e, mesmo, uma história universal, que, segundo o ponto de vista de Eusébio, seria apenas a base para a história eclesiástica. Nota-se, pois, que para Eusébio, a Igreja aparece como sendo o motor da História da Humanidade.

    Com as controvérsias arianas, o interesse de Eusébio passou para as questões dogmáticas.

    A cristandade era finalmente reconhecida pelo Estado. Isso trouxe, não obstante, novos problemas. Apologias diferentes das anteriores tornavam-se necessárias. Por fim, Eusébio, no seu papel de teólogo da corte imperial, escreve panegíricos hiperbólicos dedicados ao imperador Cristão. A todas estas actividades, há a acrescentar muitos outros textos de natureza diversa, em que ressalta a sua correspondência, para além de trabalhos exegéticos onde se incluem comentários e tratados sobre arqueologia bíblica que se estendem durante todo o período da sua vida literária, fazendo fé daquilo por que Eusébio viria a ser reconhecido por quase todos, independentemente da opinião teológica que professassem: a sua larga erudição.

    Obras que versam a crítica bíblica

    Pânfilo e Eusébio ocuparam-se, em conjunto, da leitura crítica das escrituras tal como eram apresentadas na versão da Bíblia conhecida como a “Septuaginta”. Dedicaram-se ao estudo do Antigo Testamento, ainda que se debruçassem especialmente sobre o Novo Testamento. Efectivamente, parece que um dos manuscritos da Septuaginta, preparado por Orígenes, terá sido trabalhado e revisto pelos dois, a crer em Jerónimo.

    Para facilitar a pesquisa dos textos evangélicos, Eusébio dividiu a versão das escrituras que tinha em seu poder em parágrafos que remetiam para uma tabela sinóptica, de forma a encontrar os pericópios que se referissem mutuamente.

    A “Crónica”

    Tábuas de concordância entre os Evangelhos, de acordo com Eusébio de CesareiaAs duas grandes obras históricas de Eusébio são a “Crónica” e a “História da Igreja”. A primeira (em grego, “Pantodape historia”, ou seja, “História Universal”) é dividida em duas partes. A primeira, (em grego: “Chronographia”, ou seja “Anuais” ou cronologia), pretende ser um compêndio de história universal, organizada segundo as diversas nações, recorrendo às fontes históricas que Eusébio pesquisou arduamente. A segunda parte, (em grego, “Chronikoi kanones”, ou seja, “Cânones cronológicos”) tenta estabelecer sincronismos do material histórico em colunas paralelas. É um dos exemplos mais antigos do que é frequente, hoje em dia, nas obras de referência, como enciclopédias, onde os frisos cronológicos se tornaram um instrumento de trabalho e consulta.

    O trabalho original, no seu todo, está perdido. Pode, porém, ser reconstruído a partir dos excertos copiados, com incansável diligência, pelos cronologistas da escola Bizantina, especialmente Jorge Sincelo. As tábuas cronológicas da segunda parte foram totalmente preservadas numa tradução em latim feita por Jerónimo, e as duas partes existem ainda numa tradução em arménio, ainda que o seu valor seja discutível devido às alterações em relação ao original que poderão ter sido feitas pelos tradutores. A “Crónica”, tal como a conhecemos, estende-se até ao ano de 325. Foi escrita antes da “História da Igreja”.

    A “História da Igreja”

    Na sua “História da Igreja” ou “História Eclesiástica”), Eusébio tentou, de acordo com as suas próprias palavras (I, i.1), apresentar a história da Igreja desde os apóstolos (história essa referida nos “Actos dos Apóstolos”) até ao seu próprio tempo, tendo em conta os seguintes aspectos:

    (1) a sucessão dos bispos nas Sés principais;
    (2) a história dos Doutores da Igreja;
    (3) a história das heresias;
    (4) a história dos judeus;
    (5) as relações com os pagãos;
    (6) o martirológio.


    Agrupou o seu material de acordo com os reinados dos imperadores, apresentando-o tal como o encontrou nas suas fontes. O conteúdo consistia em:

    Livro i: introdução detalhada, sobre Jesus Cristo.
    Livro ii: A história da época apostólica, desde a Queda de Jerusalém até Tito.
    Livro iii: A época após Trajano
    Livross iv e v: o século II
    Livro vi: O período de Severo a Décio
    Livro vii e viii: historial do surto de perseguições movidas sob o reinado de Diocleciano
    Livro ix: História da vitória de Constantino I sobre Maxêncio no ocidente e de Licínio sobre Maximino no oriente.

    Livro x: O restabelecimento das congregações e a rebelião e conquista de Licínio.

    Tal como chegou até nós, a obra concluiu-se antes da morte de Crispo, em Julho de 326, e, desde o Livro x que é dedicada a Paulino de Tiro que morreu antes de 325, no final de 323 ou em 324. Este trabalho é realmente impressionante pela pesquisa que exigia e deve tê-lo ocupado por vários anos. O seu martirológio terá sido um dos estudos preparatórios para a obra.

    A autenticidade da “História da Igreja” de Eusébio não é posta em causa. Descobertas recentes vão revelando a forma responsável, cuidadosa e inteligente como as bibliotecas de Cesareia e Jerusalém eram geridas.

    Numa das passagens da obra, Eusébio defende que as calamidades sofridas pelo povo judeu se deveram ao seu papel na morte de Jesus. Esta passagem tem sido usada, ao longo da história, tanto para atacar judeus como cristãos. Ver Cristianismo e anti-semitismo.
    “desde esse tempo que rebeliões, guerras e conspirações danosas os seguiu, a cada um, em rápida sucessão, incessantemente, quer na cidade, quer em toda a Judeia, até que o cerco de Vespasiano os esmagou. Foi assim que a vingança divina se cumpriu para os Judeus, pelos crimes que ousaram perpetrar contra Cristo.” (Eusébio de Cesareia, História da Igreja:

    Livro II, Capítulo 6: As desventuras que advieram aos Judeus depois da Injúria cometida contra Cristo) [1]- texto em inglês.

    Trabalhos históricos menores

    Antes de compilar a sua história da Igreja, Eusébio trabalhou no martirológio do período primitivo e uma biografia de Pânfilo. O martirológio não foi conservado na íntegra, embora se tenha preservado quase na totalidade, em partes. Contém:

    (1) uma epístola da congregação de Esmirna a respeito do martírio de Policarpo
    (2) o martírio de Piónio;
    (3) os martírios de Carpo, Papilo e Agatónica;
    (4) o martirológio das congregações de Vienne e Lyons (actual França);
    (5) o martírio de Apolónio.


    Da vida de Pânfilo resta apenas um fragmento. Um trabalho sobre os mártires da palestina foi composto depois de 311. Um grande número de fragmentos encontram-se disseminados por vários catálogos de lendas, ainda por compilar. A vida de Constantino foi compilada após a morte do imperador e a eleição do seu filho como um dos Augusti (co-imperadores romanos), em 337. É mais um panegírico, repleto de retórica, que uma biografia, mas é de grande valor histórico pelos documentos que incorpora.

    Apologias e obras dogmáticas

    Aos trabalhos de cariz apologético ou dogmático pertencem:

    (1) a “Apologia de Orígenes”, cujos primeiros cinco livros terão sido escritos po Pânfilo, na prisão, assistido por Eusébio, segundo as palavras de Fótio. Eusébio escreveu o sexto livro após a morte de Pânfilo. Existe actualmente uma tradução em latim do primeiro livro, feita por Rufino.
    (2) um tratado contra Hierócles de Alexandria, (Governador romano e filósofo neoplatónico), no qual Eusébio rebateu a glorificação de Apolónio de Tiana feita por Hieróceles. O trabalho chamava-se “Discurso de Amor à Verdade” (em grego, Philalethes logos);
    (3) e (4) duas importantes obras, relacionadas uma com a outra, conhecidas pelos nomes, em latim Praeparatio evangelica e Demonstratio evangelica, , tentando a primeira provar a excelência do cristianismo sobre todas as religiões e filosofias pagãs. A Praeparatio consistia originalmente em vinte livros dos quais foram completamente perservados dez, além de um fragmento do décimo-quinto livro. Eusébio considerava-a como uma introdução à Cristandade para os pagãos. O trabalho foi terminado, provavelmente, antes de 311.
    (5) noutro texto, com origem no período das perseguições, intitulado “Excertos Proféticos” (Eklogai prophetikai), discute em quatro livros os textos messiânicos das escrituras.
    (6) o tratado “Da Manifestação Divina” (Peri theophaneias), , escrito já posteriormente a estes, trata da encarnação do Logos Divino, sendo, em vários aspectos, idêntico à Demonstratio evangelica. . Restam apenas fragmentos.
    (7) o polémico tratado “Contra Marcelo”, escrito cerca de 337;
    (8) um suplemento ao trabalho anterior, intitulado “Da Teologia da Igreja”, onde defende a doutrina nicena do Logos, contra o partido de Atanásio.
    Um número vasto de escritos pertencendo a esta categoria estão, até à data, completamente perdidos.


    Obras exegéticas e outras

    Dos trabalhos exegéticos de Eusébio nada nos chegou na sua forma original. Os chamados “comentários” baseiam-se em em manuscritos posteriores copiados dessa série (catenae) de escritos. Um trabalho mais completo, de natureza exegética, preservado apenas em fragmentos, intitula-se “Das Diferenças dos Evangelhos” e foi escrito com o intuito de harmonizar as contradições nos relatos dos diferentes evangelistas. Foi também com propósitos exegéticos que Eusébio escreveu os seus tratados de arqueologia bíblica:

    (1) uma obra sobre os equivalentes, em grego, dos nomes de família hebreus.
    (2) uma descrição da antiga Judeia, com uma relação da distribuição das dez tribos.
    (3) uma planta de Jerusalém e do Templo de Salomão.


    Estes três tratados estão perdidos. Uma obra intitulada “Sobre os Nomes dos Lugares nas Escrituras Sagradas” sobreviveu até nós.

    Há, ainda, que fazer menção de discursos e sermões, alguns deles preservados até hoje, como é exemplo um sermão para a consagração da Igreja de Tiro, e um discurso para o trigésimo aniversário do reinado de Constantino (336). Das cartas de Eusébio, restam apenas alguns fragmentos.

    Comentários a respeito de Eusébio

    A sua doutrina

    Do ponto de vista dogmático, Eusébio apoia-se totalmente em Orígenes. Tal como este teólogo, partiu da ideia fundamental da soberania absoluta (monarchia) de Deus. Deus é a causa de todos os seres. Mas não é, meramente, uma causa; Nele, tudo o que é bom está incluído; Dele, toda a Vida é originada; e é a origem de toda a Virtude. É o Deus Supremo, ao qual, Cristo está sujeito como Deus segundo (secundário). Deus enviou Cristo para o Mundo para que este participasse das Graças incluídas na essência divina. Cristo é a única criatura realmente boa, possuindo a imagem de Deus, e sendo um raio de eterna luz; esta comparação com o raio de luz é, no entanto, de tal forma limitada que Eusébio necessita de, expressamente, enfatizar a auto-existência de Jesus.

    Eusébio tenta, assim, enfatizar a diferença das Pessoas da Trindade, mantendo a subordinação de Jesus a Deus (Eusébio nunca aplica a Jesus o termo theos) porque, segundo ele, tudo o que é defendido para além disso é suspeito de politeísmo ou de Sabelianismo. Crê que Jesus é uma criatura de Deus cuja geração ocorreu antes do Tempo. Jesus é, pela sua actividade, o órgão de Deus, o criador da vida, o princípio de todas as revelações divinas, que, no seu carácter absoluto é entronado sobre toda a criação. Este Logos Divino assumiu um corpo humano sem que o seu Ser fosse em algo alterado. A relação do Espírito Santo com a Santíssima Trindade é explicada por Eusébio em termos similares à relação entre o Pai e o Filho. Nada do que é apresentado nesta doutrina é original de Eusébio, tudo remetendo para a teologia de Orígenes. A falta de originalidade de Eusébio revela-se no facto de nunca ter apresentado as suas próprias ideias de forma sistemática.

    Excelência e Limitações

    As limitações de Eusébio estão intimamente relacionadas com os seus maiores dotes. Na sua época foi, justamente, considerado o mais instruído dos seus representantes. Uma lista dos documentos que usou para a sua História da Igreja bastaria para perceber a vastidão do trabalho feito em organizar e analisar todo esse acervo de material. No entanto, o saber de Eusébio não pode ser comparado com o de Orígenes. Este último foi um espírito produtivo, Eusébio foi um compilador. Eusébio distingue-se, no entanto, pelo cuidado com que elaborou a sua obra. Um homem como Eusébio teve, sem dúvida, um lugar inigualável nesta época em que as nações bárbaras começaram a invadir, em massa, a Igreja. No período que se seguiu, ninguém o suplantou em erudição. Os historiógrafos eclesiásticos foram capazes de o copiar, não de ocupar o seu lugar.


    Fonte: http://pt.wikipedia.org
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Justino, o mártir

    Justino (em latim: Flavius Iustinus ou Iustinus Martir), também conhecido como Justino Mártir ou Justino de Nablus (100 - 165 d.C.) foi um teólogo do século II.

    Biografia

    Seu lugar de nascimento foi Flávia Neápolis (atual Nablus), na Síria Palestina ou Samaria. A educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo.

    Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos, ele disse, e que falou "como confiável testemunha da verdade". Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus. Justino disse depois que "meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil". Justino "se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião cristã."

    Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em Roma. Os trabalhos que escreveu inclui: 2 apologias em defesa dos cristãos e sua terceira obra foi Diálogo com Trifão.

    A convicção de Justino da verdade do Cristo era tão completa que ele teve morte de mártir sendo decapitado no ano 165 d.C..

    Participação das criaturas racionais no Logos

    O ponto central da apologética de Justino consiste em demonstrar que Jesus Cristo é o Logos do qual todos os filósofos falaram, e, portanto, a medida que participam do Logos chegando a expressar uma verdade parcial - vendo a verdade de modo obscuro - graças à semente do Logos que neles foi depositada podem dizer-se cristãos. Mas uma coisa é possuir uma semente e outra é o próprio Logos:

    “Aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Logos, do qual participa todo o gênero humano” (Justino - Apol. Prima, 46).

    “Consequentemente, aqueles que viveram antes de Cristo, mas não segundo o Logos, foram maus, inimigos de Cristo (...) ao contrário aqueles que viveram e vivem conforme o Logos são cristãos, e não estão sujeitos a medos e perturbações” (Justino – I Apologia).

    Toda pessoa, criada como ser racional, participa do Logos, que leva desde a gestação e pode, portanto perceber a luz da verdade.

    Justino, convencido de que a filosofia grega tende para Cristo, "acredita que os cristãos podem servir-se dela com confiança" e em conjunto, a figura e a obra do apologista "assinalam a decidida opção da Igreja antiga em favor da filosofia, em vez de ser a favor da religião dos pagãos", com a qual os primeiros cristãos "rechaçaram com força qualquer compromisso".

    Justino, em particular, notadamente em sua primeira Apologia, conduziu uma crítica implacável com relação à religião pagã e a seus mitos, que ele considerava como «caminhos falsos» diabólicos no caminho da verdade.

    Assim, Justino, e com ele os outros apologistas, marcaram a tomada de posição nítida da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião pagã. Era a escolha pela verdade do ser, contra o mito do costume.

    Pensamento teológico

    Sobre o batismo

    “Vamos expor de que modo, renovados por Cristo, nos consagramos a Deus. Todos os que estiverem convencidos e acreditarem no que nós ensinamos e proclamamos, e prometerem viver de acordo com essas verdades, exortamo-los a pedir a Deus o perdão dos pecados, com orações e jejuns; e também nós rezaremos e jejuaremos unidos a eles. Em seguida, levamo-los ao lugar onde se encontra água; ali renascem do mesmo modo que nós também renascemos: recebem o batismo da água em nome do Senhor Deus Criador de todas as coisas, de nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo. Com efeito, foi o próprio Jesus Cristo que afirmou: Se não renascerdes, não entrareis no reino dos céus (cf. Jô 3,3.5). É evidente que não se trata, uma vez nascidos, de entrar novamente no seio materno”. (Justino – I Apologia Cap. 61 : PG 6,419 - 422)

    "Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos" (Justino, ano 151 d.C., I Apologia 61).

    O culto perpétuo dos cristãos

    “Os apóstolos em suas memórias que chamamos evangelhos, nos transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera. Tendo ele tomado o pão e dado graças, disse: Fazei isto em memória de Mim. Isto é o Meu Corpo [Lc 22,19 ; Mc 14,22]; e tomando igualmente o cálice e dando graças, disse: Este é o Meu Sangue [Mc 14,24], e os deu somente a eles. Desde então, nunca mais deixamos de recordar estas coisas entre nós” (Justino – I Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).

    O Dia do culto dos cristãos

    Justino afirma que os cristãos guardavam como dia sagrado a Deus o Domingo, pois foi neste dia que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos:

    “Reunimo-nos todos no dia do Sol [o primeiro dia da semana era denominado de dia de Sol no Império Romano até o século IV], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração” (Justino I – Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).

    Descrição do culto dos cristãos

    “No chamado dia do Sol, reúnem-se em um mesmo lugar todos os que moram nas cidades ou nos campos. Lêem-se as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, na medida em que o tempo permite. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para aconselhar e exortar os presentes à imitação de tão sublimes ensinamentos.

    Depois, levantamo-nos todos juntos e elevamos as nossas preces; como já dissemos acima, ao acabarmos de rezar, apresentam-se pão, vinho e água. Então o que preside eleva ao céu, com todo o seu fervor, preces e ações de graças, e o povo aclama: Amém. Em seguida, faz-se entre os presentes a distribuição e a partilha dos alimentos que foram eucaristizados, que são também enviados aos ausentes por meio dos diáconos.

    Os que possuem muitos bens dão livremente o que lhes agrada. O que se recolhe é colocado à disposição do que preside. Este socorre os órfãos, as viúvas e os que, por doença ou qualquer outro motivo se acham em dificuldade, bem como os prisioneiros e os hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele assume o encargo de todos os necessitados” (Justino - I Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).


    Eucaristia

    A Fé dos cristãos primitivos na eucaristia: Corpo e Sangue de Cristo:

    "Designamos este alimento eucaristia. A ninguém é permitido dele participar, sem que creia na verdade de nossa doutrina, que já tenha recebido o batismo de remissão dos pecados e do novo nascimento, e viva conforme os ensinamentos de Cristo. Pois não tomamos estas coisas como pão ou bebida comuns; senão, que assim como Jesus Cristo, feito carne pela palavra de Deus, teve carne e sangue para salvar-nos, assim também o alimento feito eucaristia (...) é a Carne e o Sangue de Jesus encarnado. Assim nos ensinaram." (Primeiro livro das Apologias de Justino, pag. 65-67.)

    Maria

    Justino afirma que Jesus nasceu de uma Virgem (Maria) e também que Maria é descendente do rei Davi:

    "Dizia-se [Jesus] portanto, filho do homem, seja em razão de seu nascimento de uma Virgem que, como assinalei, era da raça de Daví, de Jacó, de Isaac e de Abraão, etc..." (Justino, mártir, Diálogo com Trifão, cap.94-100, PG VI, 701ss).

    Os evangelhos canônicos

    Justino freqüentemente cita os evangelhos: de Mateus, de Marcos, de Lucas e possivelmente de João, contudo não cita sob o nome de Mateus, de Marcos, de Lucas, e sim de “Memória dos apóstolos”. Por isso chegou-se afirmar que Justino desconhecia a divisão em quatro evangelhos, afirmada, por exemplo, fortemente por Ireneu mais ou menos 30 anos mais tarde.

    Portanto, é provável que os 4 evangelhos andassem juntos desde o inicio do século II d.C. e referia-se a esses 4 evangelhos com um nome genérico, como “Memória dos apóstolos”. Ou, também, que já no inicio do II século se conhecia a distinção dos 4 evangelhos, mas de acordo com o testemunho de Justino era mais comum citá - los com um único nome.


    Fonte : Wikipédia

    Tertuliano

     
     
    Quintus Septimius Florens Tertullianus, conhecido como Tertuliano (ca. 160 - ca. 220 dC) foi um prolífico autor das primeiras fases do Cristianismo, nascido em Cartago na província romana da África. Ele foi um primeiro autor cristão a produzir uma obra literária (corpus) em latim. Ele também foi um notável apologista cristão e um polemista contra a heresia.

    Embora conservador, ele organizou e avançou a nova teologia da Igreja antiga. Ele é talvez mais famoso por ser o autor mais antigo cuja obra sobreviveu a utilizar o termo "Trindade" (em latim: Trinitas) e por nos dar a mais antiga exposição formal ainda existente sobre a teologia trinitária. É um dos Padres latinos.

    Algumas das idéias de Tertuliano não eram aceitáveis para os ortodoxos e, no fim de sua vida, ele se tornou um montanista.

    Vida

    Pouquíssima informação confiável existe para nos informar sobre a vida de Tertuliano. A maior parte do que sabemos sobre ele vem seus próprios escritos.
    De acordo com a tradição, ele foi criado em Cartago e acreditava ser o filho de um centurião romano, um advogado treinado e um padre ordenado. Estas assertivas se baseiam principalmente em Eusébio de Cesareia na sua História Eclesiástica (livro II, cap 2) e em São Jerônimo, em De Viris Illustribus (cap. 53). Jerônimo alegou que o pai de Tertuliano tina a posição de centurio proconsularis no exército romano na África. Porém, não está claro se esta posição sequer existiu nas forças militares romanas.

    Adicionalmente, acredita-se que Tertuliano foi um advogado por causa do uso que ele faz de analogias legais e de uma identificação dele com o jurista Tertulianus, que foi citado no "Digesta seu Pandectae". Embora Tertuliano utilize conhecimentos da lei romana em seus escritos, seu conhecimento legal não é - de forma demonstrável - superior ao que se esperaria de um romano com educação suficiente. Dos escritos de Tertulianus, um advogado com o mesmo cognome, existem apenas fragmentos e eles não demonstram uma autoria cristã. E Tertulianus só foi confundido com Tertuliano muito depois, por historiadores cristãos. Finalmente, também é questionável se ele era ou não um padre. Em suas obras sobreviventes, ele jamais se descreve como ordenado pela Igreja e parece se colocar como leigo em trechos de "Exortação à Castidade" (7.3) e "Sobre a Monogamia" (12.2).

    A África era famosa por ser terra de oradores. Esta influência pode ser percebida no estilo de Tertuliano, permeado de arcaísmos e provincialismos, suas imagens brilhantes e o seu temperamento apaixonado. Ele era um estudioso de grande erudição, tendo escrito pelo menos dois livros em grego. Neles, ele se refere a si mesmo, mas nenhum sobreviveu até hoje. Sua principal área de estudo era a jurisprudência e sua forma de raciocinar revela algumas marcas de um treinamento jurídico mais formal.

    Conversão

    Sua conversão ao Cristianismo aconteceu por volta de 197-198 (de acordo com Adolf Harnack, Bonwetsch e outros), mas seus antecedentes imediatos são desconhecidos, exceto o que pode ser conjecturado a partir de seus escritos. O evento deve ter sido repentino e decisivo, transformando de uma vez sua própria personalidade. Ele escreveu que não podia imaginar uma vida verdadeiramente cristã sem um ato consciente e radical de conversão:

    “Nós somos da mesma laia e natureza: cristãos são feitos e não nascidos”Apologia, Tertuliano
    Dois livros endereçados à sua esposa confirmam que ele foi casado com cristã.

    No meio de sua vida (por volta de 207 dC), ele foi atraído pela "Nova profecia" do Montanismo e parece ter deixado o ramo principal da Igreja. No tempo de Santo Agostinho, um grupo de "tertulianistas" ainda tinham uma basílica em Cartago que, nesta mesma época, passou para a Igreja. Não sabemos se esta é apenas uma outra denominação para os montanistas e se significa que Tertuliano rompeu também com os montanistas e fundou seu próprio grupo. Tertuliano tinha um temperamento violento e enérgico, quase fanático, lutador empedernido e muitos dos seus escritos são polémicos. Este temperamento, impressionado com o exemplo dos mártires, que o levou à conversão, permite compreender a sua passagem ao montanismo.

    Jerônimo diz que Tertuliano morreu com idade bastante avançada, mas não há outra fonte confiável que ateste sua sobrevivência além do ano estimado de 220 dC. À despeito de seu cisma com a ortodoxia da Igreja, ele continuou a escrever contra as heresias, especialmente o Gnosticismo. Assim, através de suas obras doutrinárias que publicou, Tertuliano se tornou professor de Cipriano de Cartago e o predecessor de Santo Agostinho que, por sua vez, se tornou o principal fundador da teologia latina.

    Obras

    Podemos dividir o conjunto das suas obras em três grandes grupos:

    • Escritos apologéticos (de defesa da fé contra os opositores): Aos pagãos, Apologeticum (a sua obra mas conhecida), O testemunho da alma, Contra Escápula, Contra os judeus.
    • Escritos polémicos: A prescrição dos hereges, Contra Marcião, Contra Hermógenes, Contra os valentinianos, O baptismo, Scorpiace, A carne de Cristo, A ressurreição da carne, Contra Práxeas, A alma.
    • Escritos disciplinares, morais e ascéticos: Aos mártires, Os espectáculos, O vestido das mulheres, A oração, A paciência, A penitência, À esposa, A exortação da castidade, A monogamia, O véu das virgens, A coroa, A fuga na perseguição, A idolatria, O jejum, A pudicícia, O manto.

    Teologia

    Apesar de ser considerado por muitos o fundador da teologia ocidental, a verdade é que tal designação é exagerada, porque Tertuliano não tem propriamente um sistema teológico. De facto, para isso faltou-lhe o equilíbrio necessário para organizar os vários artigos da fé, assim como a preocupação pela coerência, pois não era do seu interesse conciliar a fé com a razão humana.

    A Fé e a Filosofia

    Para Tertuliano, a questão das relações entre a fé e a filosofia nem sequer se colocavam, pois entre ambas nada existia de comum. A filosofia era vista como adversária da fé, e os filósofos antigos como patriarcas dos hereges. Para ele, de facto, fé e razão opõem-se, e podemos encontrar na filosofia a origem de todos os desvios da fé. No entanto, é forçado a reconhecer que algumas vezes os filósofos pensaram como os cristãos, e denuncia algumas influências de correntes filosóficas antigas, nomeadamente do Estoicismo. É bem conhecida a frase credo quia absurdum. Apesar de ela não se encontrar nos escritos de Tertuliano, mas apenas algumas semelhantes, ela condensa bem o seu pensamento acerca da razão. Note-se que o seu significado é não apenas "creio embora seja absurdo", mas sim "creio porque é absurdo". A verdadeira fé tem de se opor à razão.

    A teologia e o direito

    Tertuliano era jurista, advogado, e isso se reflectiu em sua teologia e em seus escritos de duas maneiras:

    • quanto ao método argumentação:
    Nascia na Igreja a procura de uma argumentação precisa e cerrada, sem falhas, à imagem daquela usada nos tribunais. Foi Tertuliano que usou contra os hereges o argumento da prescriptio, que mostrava que apenas a Igreja unida a Roma provinha das origens, enquanto todos os outros teriam surgido depois e seriam, por isso, falsificadores;

    • quanto à linguagem:
    Tertuliano introduziu na teologia latina, e na da Igreja em geral, uma série de termos e conceitos provenientes do direito. Concebeu a vida cristã e a salvação à semelhança de um processo penal, em que Deus é o legislador, o Evangelho a lei, quem obedece recebe a compensação, quem desobedece torna-se culpado e é castigado. Tertuliano introduziu ou consagrou algumas distinções importantes, como por exemplo a de preceito e conselho evangélico.

    A regra da fé

    Para Tertuliano, a regra da fé constitui-se como lei da fé. Nos seus escritos encontramos fórmulas de dois elementos, com menção do Pai e do Filho, e outras de três, que acrescentam o Espírito Santo. As várias fórmulas apresentadas por Tertuliano, semelhantes entre si na forma e no conteúdo, mostram a existência dum resumo da fé próximo do símbolo baptismal.

    A Trindade

    O maior contributo de Tertuliano para a teologia foi a sua reflexão acerca do mistério trinitário. Criou um vocabulário que passou a fazer parte da linguagem oficial da teologia cristã. Foi ele que introduziu a palavra “Trinitas”, como complemento da “Unitas”. Segundo Tertuliano, Pai, Filho e Espírito Santo são um só Deus porque uma só é a substância, um só estado (status) e um só poder. Mas, por outro lado, distinguem-se, sem separação, pelo grau, pela forma e pela espécie (manifestação). Tertuliano introduz assim o termo “pessoa”, (persona), para significar cada um dos três, considerado individualmente. Este vocabulário passou a vigorar, até hoje, para referir as realidades trinitárias. No entanto, Tertuliano deixa transparecer alguma influência subordinacionista. Ao falar da geração do Filho, sem querer comprometer a sua divindade, admite uma certa gradação, desde uma fase anterior à criação, em que o Logos de Deus se contempla a Si mesmo, para passar a contemplar a economia salvífica, e é engendrado de forma imanente em Deus, até à criação, em que a Palavra se realiza como tal ao ser proferida. Cristo é, assim, o primogénito do Pai, gerado antes de todas as coisas, mas não é eterno. O Filho é como que uma porção ou emanação do Pai.
    Tertuliano, apesar de ter dotado a teologia trinitária dum vocabulário preciso, e de ter procurado a exactidão, não se livrou dalgumas ambiguidades e deficiências.

    Cristologia

    Tertuliano formulou algumas doutrinas relativas à pessoa de Cristo, que haviam de ser reconhecidas mais tarde em Concílios, de tal modo que podemos dizer que a sua cristologia tem os méritos da sua teologia trinitária, sem os seus defeitos. Tertuliano afirma com clareza as duas naturezas de Cristo, sem confusão entre as duas, nem redução de alguma delas. Nisso, proclama já o que mais tarde havia de ser solenemente afirmado no Concílio de Calcedónia (451).

    Mariologia

    Na sequência da sua cristologia, Tertuliano acentua que Maria deu realmente à luz o Verbo Encarnado. Reconhece que ela era virgem quando concebeu mas, para lutar contra a cristologia doceta, que defendia que o nascimento de Jesus tinha sido apenas aparente, nega a virgindade de Maria no parto e após o parto (pois isso parecia-lhe dar argumentos ao adversário). Do mesmo modo, entende que os “irmãos de Jesus” são filhos de Maria.

    Apesar de tudo, Tertuliano proclama Maria como a nova Eva.

    Eclesiologia

    Tertuliano considera a Igreja como Mãe, numa expressão de extremo respeito e veneração. Tal como Eva foi formada da costela de Adão, também a Igreja teve a sua origem na chaga do lado de Cristo. A Igreja é guardiã de Fé e da Revelação. Assim, as Escrituras pertencem-lhe, e só ela mantém o ensinamento dos Apóstolos e pode transmiti-lo. Esta concepção, do período católico de Tertuliano, é ortodoxa, e semelhante à defendida por Ireneu de Lyon. Na sua fase montanista, porém, torna-se visivelmente herege, concebendo a Igreja como um corpo puramente espiritual, de tal modo que bastam dois ou três cristãos para que se possa dizer que se manifesta a totalidade da Igreja una. Essa seria a Igreja do Espírito, oposta à “Igreja dos bispos”. É por esta teoria que Tertuliano, já herege, substitui a da sucessão apostólica.

    A penitência

    Tertuliano fornece-nos pormenores importantes acerca da disciplina penitencial da Igreja, mas a sua teologia da penitência sofre das mesmas contradições e insuficiências da sua eclesiologia. Mas é o primeiro a descrever concretamente com clareza o processo e as formas da penitência. Há possibilidade duma nova conversão após o baptismo, conseguida na sequência duma confissão pública do pecado. Ao pedir perdão, o pecador usufrui da intercessão da Igreja e recebe a absolvição final pela pessoa do bispo. Na sua fase católica, Tertuliano mostra considerar que todo o pecador, por maior que fosse, tinha direito a esta penitência. Distinção entre pecados, só entre corporais e espirituais, consumados ou de desejo, mas todos eles podendo ser perdoados através da Igreja. Quando se torna montanista, porém, passa a considerar alguns pecados irremissíveis, tais como a fornicação, a idolatria e o homicídio. Isto é um dado novo, sem precedentes na disciplina primitiva, e testemunha o aparecimento duma facção rigorista, sob a influência do montanismo. Os católicos argumentavam com a Escritura, mostrando que Cristo perdoou todos os pecados, mesmo os “irremissíveis”. Tertuliano responde a isto dizendo que perdoar tais pecados era um poder pessoal e exclusivo do Salvador, não transmitido à Igreja. Para Tertuliano, por conseguinte, só Deus perdoa os pecados. Confrontado com a passagem do Evangelho em que Cristo concede o poder de ligar e desligar, Tertuliano nega que assim a Igreja detenha o poder das chaves, pois tal poder foi dado pessoalmente só a São Pedro, não a todos os bispos. Quando muito, para o Tertuliano montanista, o poder de perdoar os pecados pertence a “homens espirituais”, não aos bispos.

    A Eucaristia

    Tertuliano emprega vários nomes para referir a Eucaristia. São contudo poucas as suas referências explícitas a esse mistério. Ao falar dos sacramentos da iniciação cristã, diz que “a carne é alimentada com o Corpo e Sangue de Cristo, para que a alma seja saciada de Deus (De resurrectione mortuorum, 8). Isto manifesta a sua fé na presença real de Cristo na Eucaristia. O mesmo se torna patente quando manifesta a sua indignação por alguns se aproximarem indignamente do Corpo do Senhor. Tertuliano testemunha também o carácter sacrificial da Eucaristia. Fá-lo ao referir o temor que alguns tinham de quebrar o jejum ao receberem o pão eucarístico. Tertuliano refere o costume de levar a espécie eucarística para casa e tomá-la privadamente. É esta uma das mais antigas alusões à reserva eucarística. Apesar de algumas palavras ambíguas, Tertuliano manifesta a fé na presença real, que acontece mediante as palavras da instituição, mas salvaguarda a sua natureza sacramental pois refere as espécies como sinal e representação (no sentido de tornar presente). A fé nessa presença real exprime-se ainda na condenação daqueles que negam a realidade do corpo crucificado de Cristo, mas celebram a Eucaristia: tal comportamento é absurdo, pois tratam-se da mesma coisa.

    Escatologia

    Tertuliano admite a ideia duma penitência da alma após a morte. Somente os mártires escapam a ela. Todos os outros têm um tempo de espera até ao juízo final, e só a intercessão dos vivos lhes pode valer. Tal como os milenaristas, Tertuliano considera que, no fim, os justos, ressuscitados, reinarão durante mil anos com Cristo. Depois do juízo final, os justos estarão com Deus, enquanto que os ímpios irão para o fogo eterno.

    Notas

    "Trinitas" por sua vez é uma latinização do grego "HE TRIAS" (A Tríade), um termo que foi utilizado antes de Tertuliano por Teófilo de Antioquia em sua obra Ad Autolycum 2.15 para se referir à Deus, o Logos de Deus (Jesus) e a Sofia de Deus (Espírito Santo).
    A passagem de Agostinho descrevendo os tertulianistas sugere que este deve ter sido o caso, pois um padre tertulianista obteve a permissão de uso de uma igreja sob alegação de que os mártires a quem ela teria sido dedicada eram montanistas. Porém, esta passagem é considerada muito condensada e bastante ambígua.