terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parte II - CURIOSIDADES SOBRE O CASAMENTO JUDAICO NO TEMPO DE JESUS




João 2:1-2  -  E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.


CURIOSIDADES SOBRE O CASAMENTO JUDAICO NO TEMPO DE JESUS

O casamento judaico é repleto de rituais significativos, dando sentido ao propósito e significado mais profundo do casamento. Esses rituais simbolizam a beleza do relacionamento entre marido e mulher, bem como suas obrigações de um para com outro, com as famílias e com o  seu povo.

Assim o casamento judaico torna-se santo através de todo o significado que permeia o ritual do contrato de casamento até a cerimônia final.

O Contrato de casamento

1. Os jovens geralmente não escolhiam com quem iam casar-se.


“Abraão era agora idoso e bem avançado em idade, e o Senhor o tinha abençoado em todas as áreas. Ele disse ao servente chefe de sua família, aquele que estava à frente de tudo o que ele tinha: Ponha sua mão sobre minha coxa. Quero que você jure pelo Senhor, o Deus dos céus e Deus da terra, que você não vai tomar uma esposa para o meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais estou vivendo, mas você irá ao meu país e aos meus próprios parentes e tomará uma esposa para o meu filho Isaque” (Gn. 24:1-4).

2. Eram feitas negociações pelos pais.

3. Nestas negociações eram feitos os acertos sobre o valor do dote que o noivo iria pagar ao pai da moça. Por exemplo, o dote de Abraão pagou por Rebeca para ela se casar com Isaque.

“Quando o servo de Abraão ouviu o que eles disseram, ele se curvou ao chão perante seu senhor. Então, o servo trouxe jóias de ouro e prata e artigos para roupas e os deu a Rebeca; ele também deu presentes caros a seus irmãos e sua mãe” (Gn. 24:52-53).

4. Às vezes o rapaz deixava a sua casa e viajava até a casa da noiva escolhida, ou enviava um servo como Eliezer de inteira confiança para apresentar o dote ao pai da moça. Se fosse o moço pessoalmente , ele pedia a mão da filha ao pai, se houvesse consentimento, e era estabelecido o dote a ser pago pela noiva.

5. Caso o pretendente não pudesse pagar devido à pobreza, podia ser efetuado o dote também na forma de prestação de serviços (Gn 29:18) ou pela eliminação de inimigos (1 Sm 18:25).

6. Era o reconhecimento do valor econômico da filha. Para alguns pais ter uma filha mulher era ter dinheiro em caixa.

7. O pagamento do preço significa que a esposa era agora propriedade do marido, e ele não abria mão dela para nenhum outro pretendente. O dote estava pago.

8. Tão logo o noivo pagasse o dote, o casamento estava juridicamente selado, então os noivos bebiam junto o cálice de vinho, simbolizando o estabelecimento do acordo.

9. A partir deste momento, eram considerados casados, mas ainda sem vida a dois em comum, o noivo voltando ou não à casa paterna.

10. O casal se mantinha distantes intimamente um do outro até o casamento.

Obs: Nos dias de hoje após a leitura do documento, as mães dos noivos quebram um prato de porcelana. O prato de porcelana é quebrado para indicar que como a porcelana nunca pode ser consertada, um contrato de noivado quebrado é muito grave, não tem mais conserto.

Assinado o contrato demonstra que os noivos não vêem o casamento apenas como uma união sentimental e emocional, mas também como um compromisso legal e moral.

O Noivado

1. Uma vez feito o arranjo para o casamento, havia um noivado mais exigente do que os noivados na sociedade contemporânea.

2. O homem nessa situação, já ficava isento do serviço militar (Dt 20:7).

3. Maria e José estavam noivos quando foi descoberto que ela estava grávida. Por isso José quis fugir para não envergonhá-la. Pois eles jamais poderiam ter como explicar aquela situação vexatória. Maria estava grávida, isto era indiscutível, mas o filho não era dele, era uma obra do Espírito Santo. Neste período eles estavam na fase do desposório, que era o noivado.

4. O noivado durava aproximadamente 12 meses, nesse ínterim a casa era preparada pelo noivo e o enxoval preparado pela noiva.

5. A família da noiva fazia os preparativos para a festa do casamento.

O Casamento

O dia do casamento judaico para os noivos é como um Yom Kipur pessoal (Dia do perdão).

É passado em jejum, oração, atos de bondade e reflexão espiritual.

A tradição nos diz que neste dia Deus perdoa completamente ambos pelas transgressões cometidas em suas vidas, para que possam começar suas vidas de casados em um estado totalmente puro.

Uma antiga tradição aconselha a noiva e o noivo a jejuarem no dia de seu casamento, desde o nascer do sol até depois da cerimônia em baixo da chupá, pálio nupcial, comendo a sua primeira refeição juntos no fim da cerimônia nupcial.

Além do jejum, os noivos lêem salmos e oram pelo perdão de Deus.

Neste dia eles honram e louvam a noiva, e providenciam o que ela necessita para alegrá-la.

O casamento de Isaque com Rebeca marcou o começo da história do povo judeu. Imitando o gesto de Rebeca ela cobre o rosto, e os cabelos e espera que seja igualmente merecedora das bênçãos Divinas no seu casamento.

O Talmude designa-lhe um lugar de honra, é necessário ter um "trono de noiva".

A noiva neste dia é chamada de rainha e o noivo, de rei.

Durante a recepção nupcial, cercada por sua família, a noiva senta-se sobre o seu "trono" e é cumprimentada pelos convidados, enquanto parentes e amigas dançam em sua honra.

Ela aguarda ansiosa a chegada do noivo.

Após esse tempo de separação em uma bela noite, o noivo convidava seus padrinhos e o amigo da noiva que era o amigo do noivo, pois tudo o que ela queria saber sobre o noivo ela perguntava para o amigo do noivo. Como ele estava? Quando ele viria?. E o amigo da noiva era o seu porta voz.

Todos em um cortejo lindo e angelical se dirigiam à casa da noiva com tochas acesas nas mãos.

1.     Saindo de sua casa o noivo, ia à casa dos pais da noiva com sua melhor roupa, com grinalda na cabeça vestido como um rei (Ct. 3:11; Is 61:10), acompanhado de um cortejo ao som de músicas e cânticos.
2.     Era um momento de deslumbre nas ruas, pois na calada da noite, com o brilho do luar , tochas acesas e a multidão começava a cantar pelas ruas “Aí vem o noivo”. O som de alarido ia de casa em casa anunciando a chegada do noivo.
3.     O som dócil e meigo alcançava a casa da noiva que estava esperando na casa de seu pai.
4.     Para a noiva que já vinha se preparando, organizando os preparativos era dia de festa, ela estava pronta para este grande momento.
5.     Era a hora de ser levada pelo noivo e para o noivo.
6.     A noiva que estava aguardando pedia para avisar suas damas de honra para vesti-la e enfeitá-la, pois o noivo vinha buscá-la.
7.     O amigo do noivo entrava na casa da noiva para levá-la embora para a casa do noivo
8.     Coberta por um véu, pois para o judeu a beleza física passa, mas a espiritual continua para sempre, a presença de Deus irradiava o seu rosto , ela esta indo ao encontro do noivo.
9.     Eles vão para a casa do pai do noivo
10.  Lá já estavam outros convidados, junto às mesas postas no salão de festas.

Começava a festa....


Obs: A festa do casamento era uma parte de suma importância na celebração e poderia ser realizada e patrocinada pela família da noiva e na casa da noiva (Gn 29.22) , mas a família do noivo podera patrociná-la também (Jz 14.10).

  1. A festa do casamento (as bodas) duravam 7 dias  - Jz 14.17

(Juízes 14:17) - E chorou diante dele os sete dias em que celebravam as bodas; sucedeu, pois, que ao sétimo dia lho declarou, porquanto o importunava; então ela declarou o enigma aos filhos do seu povo.
  1. A lua de mel durava 1 ano
(Deuteronômio 24:5)- Quando um homem for recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá encargo algum; por um ano inteiro ficará livre na sua casa para alegrar a mulher que tomou.

1.     As virgens se casavam na quarta-feira.
2.     As viúvas às sexta-feira.

As Bodas / a Festa

Durante todo o período da festa eram servidos alimentos e vinho.

Quanto maior a fartura, mais abençoado se considerava o casal.

Na festa o elemento essencial que não podia faltar era o vinho....

Continua depois...

Pr. Ezequiel Barbosa

4 comentários:

  1. Desponsório, Condução e Bodas judaicas



    Como na época de Jesus o casamento judaico era constituído de três partes:

    O DESPONSÓRIO, que era o Noivado e onde era feito o “Contrato de Casamento” na presença de testemunhas, pois o Contrato podia ser tanto escrito ou oral.
    E se destinava combinar o dote da noiva...

    A CONDUÇÃO, que era o período intermediário entre o Noivado e o Casamento.

    E as BODAS, que era o Casamento propriamente dito.

    Já que pela Lei judaica, entre o Desponsório (Noivado) e a celebração das Núpcias, sempre decorria um intervalo de tempo, que podia chegar a anos.

    Em virtude de na época, a Lei judaica não prescrever a virgindade da noiva.
    A noiva poder precisar provar ao futuro marido que era fértil.

    Se acreditar que a infecundidade decorria exclusivamente da mulher.
    E não ter filhos ser interpretado como uma desonra ou mesmo algum castigo divino, veja (Gn 30; 23) e (1 Sm 1;5-).

    No período chamado CONDUÇÃO, embora os noivos vivessem separados, o futuro marido poderia usar do direito legal de saber se a sua futura esposa era ou não fértil, pois o “Contrato de Casamento” outorgava ao noivo a posse da noiva no sentido estrito, e por isso, era comum que na Condução se chegasse a ter filhos, sendo que a prole era considerada legítima.

    Lisandro Hubris

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  2. Pastor Ezequiel a paz do bendito DEUS amém. Servo de Jesus me diz uma coisa quando Jesus se referiu em mateus 19 sobre o casamento ele permitiu carta de divórcio em casa de fornicação suponho antes do casamento no caso ainda noivos ou no caso de adultério depois de ter selado o matrimônio???

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  3. PASTOR POR FAVORRRRRRRRRRR!!!!! me dá uma luz... onde vc consegui informações sobre o amigo do noivo e da noiva no rito de casamento judaico???

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