sábado, 28 de abril de 2012

A cura de um leproso - Parte 1


Milagre : A curade um leproso -  Cafarnaum 

Tema : Atitudes que geram mudanças

Suas atitudes definem as mudanças da sua vida

Textos ; Mateus 8.2-4; Marcos 1.40-45; Lucas 5.12-16

Para podermos entender este milagre é necessário entrar no contexto histórico e cultural da época. Observarmos os preceitos judaicos, e investigar minuciosamente o que dizia a Torá em relação à lepra, ou ao homem que estivesse leproso. Vamos descobrir no período vetero testamentário que o estar com a lepra ou ser leproso na sociedade judaica era algo chocante e humilhante para o leproso e para a família.

Vocês participaram de declarações fortíssimas que mudarão as suas vidas, acompanhe cada parte deste tão extraordinário milagre de Jesus na vida de um leproso.

Vamos estudar e conhecer um pouco sobre a lepra.

Segundo o francês, Raoul Follereau : "o homem leproso tem duas doenças: a lepra e o ser leproso. O seu sofrimento físico e moral faz dele o ser mais infeliz da humanidade".

O Dr. William Barclay, em seu comentário bíblico, descreveu um leproso nos seguintes termos:

Todo o aspecto do rosto se modifica até que o homem perca a aparência humana, como diziam os antigos, assim como um leão ou um sátiro (um bicho) . Os nódulos ficam bem maiores; ulceram e deles sai uma erupção repugnante. Os pelos das  sobrancelhas caem; os olhos ficam estatelados; as cordas vocais, ulceradas; a voz, rouca e a respiração, chiada… As mãos e os pés sempre ulceram. Lentamente, a vítima vai se transformando num monte de tumores ulcerados. A doença progride em média por nove anos, e culmina em deterioração mental, coma e finalmente morte. A vítima se torna totalmente repulsiva tanto para si mesma como para os outros.Um leproso durava 10 anos (sem esperança)

A lepra no seu estágio inicial ao crescimento gerado por ela

  1. Manchas brancas
  2. Feridas ou nódulos
  3. Perca da sensibilidade
  4. Perca dos pedaços do corpo
  5. A pele passava a possuir lesões, feridas e apodrecia a carne do leproso.
  6. O mau cheiro e o aspecto físico eram insuportáveis
  7. Só restava a morte.

A lepra era a doença mais temida que havia. Segundo os rabinos a lepra que a bíblia relata era pior que a doença que hoje é conhecida como hanseníase, ou infecção crônica no organismo (ela era ainda pior). Ela gerava o definhamento e a total destruição do físico, da mente (sonhos e perspectivas vão se deteriorando) e do ser espiritual (a separação do homem e Deus). O homem perdia a sensibilidade, e passava a não sentir mais dor. Os pedaços do corpo começavam a cair.

Nenhuma outra doença reduz um ser humano durante tantos anos a uma destruição externa e interna tão terrível. Dependendo da duração da lepra, uns tinham perdido os dedos das mãos, ou talvez dos pés, as orelhas, dentes, braços, e o nariz...

Conforme o estágio a face ficava deformada, o corpo coberto por úlceras, nódulos, e feridas que de longe geravam o mau cheiro insuportável. Sem poder se aproximar de ninguém viviam isolados nos vales caracterizados como “Vale dos Leprosos”. Comiam os restos que ninguém comeria. Viviam dos lixos que ninguém viveria. No contexto judaico era a mais desprezível de todas as enfermidades.

A pessoa leprosa era declarada morta. (jogavam terra quando o leproso passava declarando que ele tinha que voltar para o pó, pois ele já estava morto). O seu único destino era morar com os outros leprosos fora da cidade no Vale dos Leprosos, em cavernas como mortos, esquecidos, abandonados e excluídos para sempre até que alcançasse a misericórdia de Deus e fosse curado.  

1º - A lepra representa o pecado ela nos separa do arraial

Por que a lepra representa o pecado?

A lepra fala de tornar o homem um imundo, sujo e impuro e todo conceito aqui é a santidade porque Deus é Santo.

Deus é Santo e não aceita aquilo que é impuro dentro do arraial.

  1. A lepra separava o homem de Deus. O pecado nos separa de Deus.

  1. Assim como o pecado, ela começava com uma pequena mancha e vai crescendo.

(Levítico 13:7) - Mas, se a pústula (deixa de ser mancha para formação de nódulos, e feridas) na pele se estende grandemente, depois que foi mostrado ao sacerdote para a sua purificação, outra vez será mostrado ao sacerdote, (Levítico 13:8) - E o sacerdote o examinará, e eis que, se a pústula na pele se tem estendido, o sacerdote o declarará por imundo; é lepra.

(Levítico 13:22) - Se ela grandemente se estender na pele, o sacerdote o declarará por imundo; praga é.

  1. O leproso tinha que viver longe do arraial – fora da presença de Deus

(Levítico 13:46) - Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.

(Números 5:2) - Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto. (Números 5:3) - Desde o homem até a mulher os lançareis; fora do arraial os lançareis; para que não contaminem os seus arraiais, no meio dos quais eu habito. (Números 5:4) - E os filhos de Israel fizeram assim, e os lançaram fora do arraial; como o SENHOR falara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.

Assim como o pecado, ela podia atingir a pele num lugar escondido (o interior do homem)

A cabeça (a mente), o corpo (a dignidade), as roupas (o exterior, as atitudes), e a casa (a família)

Somente o sangue de Jesus pode purificar o homem.

(Hebreus 9:22) - E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

(I João 1:7) - Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

1.     A lepra deforma – A lepra deixa marcas e deformidades. Ela mutila e deixa cicatrizes profundas. Assim é o pecado. Ele deixa marcas profundas na mente, na alma, no corpo.

2.     A lepra contamina – A lepra é contagiosa. O pecado também contamina. Ele pega. Fuja de más influências, de lugares perigosos.

3.     A lepra mata – A lepra era uma doença incurável. O pecado é uma doença mortal.

Jesus da vida. E vida com abundância

Ouça esta expressão – Segundo a lei e os rabinos a lepra era a doença dos fofoqueiros, murmuradores e dos contendeiros. Aqueles que gostavam de falar mal dos outros

Segundo o Rabino Shlomo Ben Itzhak  -  Rab. Shlomó Wahnón – respeitado na cultura judaica e conhecido pelo acrônimo Rashi.

“Esta é a lei do Metzorá...” (Vayikrá 14:1) “Esta é a lei do Metzorá (infecção especial parecida com a lepra)...e saíra o cohen fora do acampamento... e tomará para o que se purifica, dois pássaros vivos e puros, um pau de madeira de cedro, lã pintada de carmesim e uma planta de hissopo”, o qual comenta Rabí Shlomo Ben Ishakí (Rashi): devido a que estas confecções chegam à pessoa pelo seu mal falar (Lashóm Hará), que provém o sussurro das palavras e por isso lhe exigiram trazer dois pássaros que sussurram continuamente. O Metzorá é obrigado a abandonar o acampamento até que se purifique. Deve separar-se da comunidade pelo grande estrago que provocou “o seu mau falar”: Rabí Israel Meí Hacohen, autor a Mishná Berurá no seu livro Chafetz Chaim (Quem deseja viver), na sua introdução começa no parágrafo de Salmos (34:13, 14,15): “Qual é o homem que deseja a vida, que quer muitos dias nos quais deseja ver o bem? Guarda a tua língua para que não falar mal e os teus lábios de falar mentiras. Afasta-te da maldade e faz o bem, procura a paz e persegue-a.” A vida encontra-se na língua, como disseram os nossos Sábios:”A vida e a morte estão na posse da língua”, ou como disse Rabí Shimón Ben Gamliel em Pirkei Avot: “Toda a minha vida me criei entre os Sábios e não vi melhor para o corpo que o silêncio”. Muitos conselhos a este respeito nos são transmitidos ao longo das gerações sobre o cuidado que deve ter a pessoa no uso do potencial Nefesh Chaiá (alma viva) que o define o Targum Onkelos:”Ruach Hamelalá” (espírito que fala ) e Rashi comenta: Que ainda também os animais foram denominados “espíritos vivos”, o homem foi denominado por excelência, pois foi-lhe concedido o entendimento e a fala. Os animais têm a capacidade de entender o que falam, de compreender a profundidade do conteúdo, das intenções. “Bendito seja o Todopoderoso... que nos deu a Torá para que possamos cumprir os Seus preceitos e toda a Sua intenção para nos beneficiar...”, tal como nos advertiu Moshé Rabeinu antes de se despedir do povo )Deuteronómio 12:13): “O que é que o Todopoderoso exige... cuidar as leis e os preceitos que vos encomendou hoje para vosso bem”. Entre as limitações que os nossos Sábios estabeleceram em relação ao falar mal, disseram: Três pessoas pecam quando se fala mal: aquele que fala, o que escuta e aquele de quem se fala. Ao que nos perguntamos, que culpa tem a pessoa de quem se fala para que seja considerada cúmplice neste pecado? A resposta encontra-se no fundo da pessoa e a sua responsabilidade com o próximo. A pessoa é um ser simpático como disse o Rei Shlomo nos Provérbios (27:19): “Assim como o rosto se reflecte na água, também o coração do homem com o seu próximo”, tal como é muito difícil sorrir perante quem chora também é difícil criticar aquele que nos faz bem. Fazer bem é algo ilegível, senão uma obrigação na nossa responsabilidade para com o nosso próximo. Fazer bem ao próximo converte-se em nosso próprio benefício, uma vez que todos nos encontramos no mesmo barco, e um passageiro faz um buraco no seu camarote, não está a pôr em perigo apenas o seu quarto, senão todo o navio, todos nós. O defeito humano encontra-se no quanto estranho se sente em relação ao seu próximo. Assim, é difícil encontrar quem critique o seu melhor amigo e muito menos o seu filho e muito menos a si mesmo. A crítica não construtiva vem apenas pelas más condições humanas, como a inveja, o ódio, a cobiça, etc.

O mesmo vai dizer:

O Metzorá (o leproso) é obrigado a abandonar o acampamento até que se purifique.  Deve separar-se da comunidade pelo grande estrago que provocou “o seu mau falar”: A parashá Metzorá nos descreve o castigo imposto a uma pessoa que praticou a maledicência (Lashon Hará) contra alguém. Já no início no Sêfer Shemot (Êxodo), a Torah nos conta sobre Miriam, irmã de Moshé Rabeinu, que falou Lashon Hará (falou mau, murmurou,reclamou) a respeito de seu irmão e imediatamente foi punida seriamente, contraindo a tsara’at, a lepra.

Rabi Moshe ben Nachman, ou Nachmánides, mais conhecido por seu acrônimo Ramban:

Observa que Míriam só murmurou discretamente para seu outro irmão e mesmo assim foi severamente punida por ter falado de Moisés: “E a nuvem retirou-se de sobre a tenda, e eis que Míriam estava leprosa, branca como a neve; e olhou Aarão a Míriam, e eis que estava leprosa” (Números 12,10)

Números 12: 1 - E FALARAM Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cusita, com quem casara; porquanto tinha casado com uma mulher cusita.2 - E disseram: Porventura falou o SENHOR somente por Moisés? Não falou também por nós? E o SENHOR o ouviu. 3 - E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. 4 - E logo o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Vós três saí à tenda da congregação. E saíram eles três. 5 - Então o SENHOR desceu na coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã e ambos saíram. 6 - E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele.
7 - Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. 8 - Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés? 9 - Assim a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se.
10 - E a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã ficou leprosa como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa. 11 - Por isso Arão disse a Moisés: Ai, senhor meu, não ponhas sobre nós este pecado, pois agimos loucamente, e temos pecado. 12 - Ora, não seja ela como um morto, que saindo do ventre de sua mãe, a metade da sua carne já esteja consumida. 13 - Clamou, pois, Moisés ao SENHOR, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures. 14 - E disse o SENHOR a Moisés: Se seu pai cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? Esteja fechada sete dias fora do arraial, e depois a recolham. 15 - Assim Miriã esteve fechada fora do arraial sete dias, e o povo não partiu, até que recolheram a Miriã.

Deuteronômio 24: 8 - Guarda-te da praga da lepra, e tenhas grande cuidado de fazer conforme a tudo o que te ensinarem os sacerdotes levitas; como lhes tenho ordenado, terás cuidado de o fazer. 9 - Lembra-te do que o SENHOR teu Deus fez a Miriã no caminho, quando saíste do Egito.

1.     Para os judeus o leproso era como um indivíduo que não poderia viver em sociedade, pois não sabe dar valor  a  Deus, a família,e aos companheiros.
2.     O leproso sempre procura o lado negativo das pessoas para chacoteá-las, e zombar delas;
3.     O leproso era um fofoqueiro, um zombador, e um murmurador. Só atrapalhava o crescimento
4.     Sempre procura um erro nas pessoas para fazer um comentário maldoso;
5.     Sempre observa a imperfeição do amigo para depois desprezá-lo.

Por que o leproso deveria viver afastado, longe do convívio da sociedade?

       Segundo a Lei : O primeiro passo para cura desta "doença" era afastá-lo da sociedade.
       Fora do convívio, isolado de tudo e longe de todos, ele deveria refletir sobre seus atos.
       A solidão deveria levá-lo a dar mais valor a Deus, a família, aos amigos e à sua sociedade.
       A falta das companhias o levaria a dar valor àqueles que outrora desprezou e, assim, chegaria ao arrependimento.

Irmãos imaginem comigo se fossemos afastar os crentes leprosos (fofoqueiros, contendeiros, e murmuradores) das igrejas. Teriam que sair alguns caminhões lotados.

A fofoca é um mau que tem assolado e destruído várias igrejas trazendo divisão e contendas no povo de Deus.

“Todo fofoqueiro é culpado pelos resultados do atraso do povo de Deus”.

Continua depois....divulgue

Em Cristo , seu amigo

Pr. Ezequiel Barbosa

http://www.ezequielbarbosa.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário