sábado, 21 de julho de 2012

A cura do servo do centurião - Parte 3

 

4º - O centurião criou um problema para os fariseus e para os líderes do povo (os anciãos)

Lucas 7: 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
Quem eram os anciãos?

O termo hebraico mais comum para ancião ou velho nas Escrituras Hebraicas é zāqēn – falava da idoneidade, do caráter ilibado, das cãs brancas e sabedoria provenientes de uma vida farta de dias. Esta palavra procede do vocábulo que deriva do cognato zāqān, cujo significado básico deste último é barba. Em função de os idosos usarem barbas crescidas é que a palavra começou a designar a "velhice", ou "ancião". Este termo, zāqēn, é muito comum nas Escrituras da Antiga Aliança, no Velho Testamento.

No grego por diversas vezes é traduzido pela Septuaginta (LXX) por presbyteros, que apontava para a maturidade de um líder entre os demais do seu povo :  “presbúteros” ou “présbus,eós”, que se traduz “velho, idoso, experiente; digno de respeito, venerável”. É a tradução para o grego de “ancião”, nome portanto dado para os anciãos nas igrejas gentias, onde se falava o grego. Como os líderes das sinagogas e do templo eram chamados “anciãos”, quando as igrejas começaram a surgir, os irmãos que estavam na direção também foram chamados “anciãos”.

1.     Os anciãos eram os chefes das tribos e famílias no Velho Testamento (Gênesis 50:7, Êxodo 3:18, etc.).
2.     Os anciãos das tribos de Israel eram consultados, desde Moisés até aos reis de Israel como autoridades entre o povo (2 Crônicas 34:29, etc.).
3.     Depois do exílio continuaram a ser as autoridades (Esdras 6:7,8, etc.).
4.     E nos tempos do Senhor Jesus e no início da igreja, eram as autoridades nas sinagogas (Mateus 15:2, etc.) e no templo, com os principais dos sacerdotes e escribas (Lucas 22:66, Atos 5:21, etc.).

Funções dos anciãos:

1.     Eles tomavam decisões políticas (2 Samuel 5:3; 2 Samuel 17:4,15).
2.     Davam conselhos ao rei mais tarde na história (1 Reis 20:7)
3.     Representavam o povo em relação a assuntos espirituais (Êxodo 7:17:5-6, 24:1,9; Números 11:16,24-25).

O centurião vai pedir para os anciãos chamarem a Jesus. Porém havia uma rivalidade entre os anciãos com relação a Jesus. Esta rivalidade vai ficando cada vez mais acirrada e torna-se insustentável ao ponto dos anciãos fazerem parte da morte de Jesus.

E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.  Mateus 26:57

Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte;  Mateus 26:59

E, chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem; Mateus 27:1

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, Mateus 27:3

E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria. Marcos 8:31

E logo, falando ele ainda, veio Judas, que era um dos doze, da parte dos principais dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciãos, e com ele uma grande multidão com espadas e varapaus. Marcos 14:43

E, logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.  Marcos 15:1

E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo. Lucas 7:3

Dizendo: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia. Lucas 9:22

E aconteceu num daqueles dias que, estando ele ensinando o povo no templo, e anunciando o evangelho, sobrevieram os principais dos sacerdotes e os escribas com os anciãos, Lucas 20:1

Os fariseus tiveram que ir pedir para Jesus fazer um milagre ... Lc 7.3,4

Lucas 7: 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
Imagina o diálogo dos anciãos:

- Rapaz o centurião vai fazer a gente chamar Jesus mesmo, é verdade ou ele esta brincando?

O outro responde:

- Vamos ter que ir mesmo, a não ser que você consiga curar o rapaz, o servo do centurião?

O outro diz:

- O negócio vai ser chamar este tal de Jesus?

Amado imagina a conversa como não deve ter sido interessante. Segundo alguns teólogos os anciãos achavam que Jesus poderia relutar em ajudar aquele homem por ele não ser judeu. Então eles vão tentar convencer Jesus. Preste atenção no texto:

Lucas 7: 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo. 4 - E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto, 5 - Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.

1.     Rogaram-lhe muito
2.     Pediram com insistência

– Faz Jesus, o Senhor pode, o Senhor tem poder.

Você pode até expulsar Jesus, mas sempre vão chamar ele de volta

1.     Lc 7. 4 – Este homem merece, ele é digno que lhe faça isso
2.     A gente não pode resolver mas o senhor pode
3.     Aqueles que te humilharam ainda vão te chamar

5º - Os fariseus queriam dar motivos para Jesus curar o servo do centurião

Lucas 7: 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo. 4 - E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto, 5 - Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.

1.     Ele ama a nossa nação
2.     Ele construiu a Sinagoga (aquela que o senhor pregou Jesus, lá em Cafarnaum, lembra, o senhor expulsou demônio, ta lembrado)

6º - Lc 7. 6 - E Jesus foi com eles

1.     Não foi por causa dos rogos farisaicos
2.     É porque Jesus conhecia o coração daquele homem
3.     Jesus iria dar uma das mais lindas lições aos fariseus

7º - Vamos entender a dúvida dos textos de Mateus e Lucas

1.     Primeiro você continua em Lucas
2.     Agora o centurião não manda os fariseus , ele manda amigos (porque tinha que crer na autoridade de Jesus)
3.     Lc 7.6 – Não sou digno que entres na minha casa - O cidadão romano geralmente se achava superior a outros povos
4.     (o Senhor é mais digno que eu) – Ele reconhece a dignidade, a santidade de Jesus
5.     Olha o contraste v. 4 x v.6,7 ( os fariseus diziam ele é digno que o Senhor vá até sua casa)
6.     Ele reconhece a dignidade, e a santidade de Jesus
7.     Ele já tinha uma lição – Jesus não foi na casa de outro oficial – Jo 4.46-54
8.     O Senhor não precisa ir na minha casa – Uma palavra de longe e o meu servo sarará

8º - Em Mateus ele vai pessoalmente até Jesus – Mt 8

(Mateus 8:5) - E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe,
(Mateus 8:6) - E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. (Mateus 8:7) - E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde.

9º - Senhor tu és o Messias – O reis dos reis - Eu já vim pessoalmente para dizer que eu não sou digno de receber o Senhor na minha casa, o senhor não precisa ir lá Jesus

(Mateus 8:8) - E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.

10º - Eu creio, eu tenho fé , na sua autoridade – E a sua autoridade é superior a minha

(Mateus 8:9) - Pois também eu sou homem sob autoridade (eu obedeço), e tenho soldados às minhas ordens (e dou ordens) ; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.

O poder da palavra

(Isaías 55:11) - Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

11º - Jesus encontrou fé

1.     Não foi em um judeu , conhecedor do Torá; das maravilhas de Deus
2.     Não foi em um discípulo que estava a quase dois anos com ele – Homens de pouca fé
3.     Mas em um gentio – Adorador de outros deuses

(Mateus 8:10) - E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel (na minha nação; no meu povo) encontrei tanta fé.

12º - O céu será um lugar de surpresa

(Mateus 8:11) - Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus;

(Mateus 8:12) - E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. (Mateus 8:13) - Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou.

 Pr. Ezequiel Barbosa

@ezequielbarbosa.com

Milagre : 10º - A cura do servo do centurião
Tema : Uma fé que impressiona
Texto : Lc 7.1-10  / Mt 8. 5-13
 

terça-feira, 17 de julho de 2012

A cura do servo do centurião - Parte 2

Milagre : 10º - A cura do servo do centurião
Tema : Uma fé que impressiona
Texto : Lc 7.1-10  / Mt 8. 5-13
 
3º - Esta história é única
Algumas pessoas por não conhecerem a Bíblia confundem esta história com a cura do oficial do rei (Jo 4. 46-54).
As semelhanças são muito poucas; as diferenças são muitas.
            Permitam-me mencionar algumas dessas diferenças:
  • O centurião era um gentio, o oficial do rei tem características de ser um judeu.
  • O escravo do centurião sofria de uma paralisia, o filho do oficial do rei estava doente com febre.
  • O centurião é em Cafarnaum, o oficial do rei é em Caná.
  • A fé do centurião ganha elogios de Jesus, o oficial do rei e outros são repreendidos por uma fé deficiente.
  • O centurião não se sente digno de Jesus entrar em sua casa, o oficial do rei pede que Jesus vá até a sua casa.
  • O centurião tem os anciãos judeus para defender o seu caso por ele ter construído a sinagoga ; O oficial do rei vai até Jesus pessoalmente.
São histórias separadas e não são iguais.
Deus tem uma história exclusiva para você pode até ver semelhanças com outras mas a sua vai ser única e exclusiva.
4º - Quadro irreversível
Nunca se esqueça Deus sempre tem a última palavra
Aquele servo apresentava em seu quadro clínico
1.     Ele estava muito doente,

Lucas 7: 1 - E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, (estava doente, e moribundo).

2.     Estava sem poder andar

Mateus 8: 5 - E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, 6 - E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, (paralítico), e violentamente atormentado.
3.     Estava delirando por causa da febre
Mateus 8: 5 - E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, 6 - E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e (violentamente atormentado).
4.     Estava quase à morte, prestes a morrer.

Lucas 7: 1 - E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e (moribundo).
5º - Aquele moço era um escravo

O que era ser um escravo?

Ser escravo implicava em quase absoluta redução nos direitos daqueles que ostentavam essa condição. Eram convertidos em simples propriedades dos seus donos, tratados como coisa ou objeto. Mais de 30% da população romana eram escravos. E quase todas estas pessoas reduzidas à escravidão ou mantidas nesta condição provinham de povos conquistados, o que se manifestava com frequência em características físicas ou língua diferentes das dos seus amos. O escravo romano é ambivalente: era ao mesmo tempo vez homem e mercadoria. O seu valor monetário era um incentivo para o amo, a fim de cuidá-lo para que o seu investimento fosse rentável. Assim mesmo, tinha deveres para com ele: alimentá-lo, vesti-lo e alojá-lo.

Eram pessoas desprezadas tratados com desdém. Um escravo era um bem que era possuído, e despojado de todo direito. O dono possuía o direito sobre a sua vida e a sua morte.

Se um escravo morresse logo era esquecido, jogado ao léu e substituído por outro. Mas este caso era diferente, segundo a história este moço era um mendigo que vivia na beira da estrada e foi trazido pra dentro da casa do centurião, para ser tratado com amor.
É tão interessante este relacionamento que Mateus usa o termo país no grego, que pode ser filho ou servo (geralmente alguém jovem), enquanto Lucas esclarece tratar-se de "servo" e o chama de doulos. Ele era um servo ? Sim com toda certeza mas  tratado como um filho.

Que coisa extraordinária aquele moço apesar de ser um escravo era tratado como um filho. O texto diz que o centurião estimava muito o seu servo quase como um filho.

6º - Aquele moço era um escravo, mas era tratado como um filho.

Lucas diz que ele estimava muito o seu servo
Lucas 7: 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.
Os sentimentos do centurião por ele eram fraternos e ao mesmo tempo paternos. Havia uma relação de intima comunhão amigável e familiar entre o servo e o centurião. O moço não era um escravo na casa que ia e vinha debaixo de ordens e maus tratos, condenado como desigual, sendo humilhado e maltratado pelo seu senhor, não, aquele moço era como um amigo e mais um filho para o centurião. Ele ia e vinha e tinha liberdade de ficar e andar na casa. Era um moço amado e respeitado.

7º - O centurião se deparou com as lutas da vida

1.     Um homem acostumado em travar batalhas - O seu confronto agora não era com guerreiros humanos, homens implacáveis que eram derrubados pela força da espada. Ele estava acostumado a enfrentar muitas batalhas, muitas lutas, muitas guerras, com certeza uma carreira de brilhantismo conquistas e vitórias.
2.     Um homem nobre e estratégico – Para chegar até o seu posto ele estudou sobre guerras, sobre estratégias militares, muito se dedicou, decorou códigos de guerras romanos, que eram extensos e cheios de formações militares para batalhas. Um homem preparado intelectualmente, e psicologicamente para enfrentar qualquer situação de batalhas e guerras.
3.     Um homem de uma vida financeiramente abastada – Ser um centurião era cobiçado não apenas pelas glórias, mas pelo salário que eles recebiam. Eles eram muito bem pagos para exercerem seus postos.

Eu aprendo com este texto que o sofrimento, os problemas da vida, as enfermidades, ultrapassam todas as barreiras eles atingem qualquer pessoa independentemente de quem seja. Aquele homem começou a enfrentar uma batalha que ele imaginou que poderia vencer, mas ele notou que estava sucumbindo. Já havia usado todas suas estrategias e agora estava sendo assolapado pela batalha da enfermidade do seu servo. Suas forças e estrategias estavam se findando e sem poder continuar a luta travada neste campo de batalha a alma daquele centurião estava ferida, e machucada ele já havia procurado todos os recursos necessários e alcançáveis para ajudar o seu servo amado, mas não havia encontrado solução para o seu problema.

Todos os seus recursos já haviam se esgotados, tudo o que ele poderia ter feito já fora realizado, tudo o que ele tinha como recursos já haviam sido usados e agora ele ouve falar de um rabi, que poderia ajudá-lo. Este não era mais um, no meio de inúmeros, este era especial. Era um simples morador de Cafarnaum que estava voltando para sua casa depois de uma longa viagem de eventos extraordinários.

8 º - Este centurião ouviu falar de Jesus – Lc 7.3

Lucas 7: 1 - E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo. 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
1.     Ele ouviu falar deste homem chamado Jesus. E este homem chamado Jesus apresentava um curiculum de milagres indelével, fenomenal, e inexplicável.
2.     Ele era um homem judeu, de classe muito simples da tribo de Judá, um carpinteiro vindo de Nazaré, nascido em uma manjedoura na pequena cidade de Belém.
3.     Este homem era chamado de Cristo, Messias, Jesus de Nazaré, o carpinteiro, o mestre da Galiléia.

Porém todas as concepções do centurião sobre seus deuses já haviam sido exauridas de sua mente, pois nenhum de seus deuses pode ajudá-lo a resolver os seus problemas. Ele resolve saber mais sobre este homem chamado Jesus.

Este texto chama demais a minha atenção porque os fariseus eram considerados como seres superiores no conceito judeus, homens separados e santos. Homens que faziam milagres e curavam. Mas aquele homem não pede para chamar nenhum fariseu, nem doutor da lei. Ele vai pedir para eles chamarem Jesus.

Talvez na sua mente ele pensava “Estes fariseus não podem resolver o meu problema, mas Jesus pode”.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

A cura do servo do centurião - Parte 1

Milagre : 10º - A cura do servo do centurião
Tema : Uma fé que impressiona
Texto : Lc 7.1-10  / Mt 8. 5-13

A estruturação do Ministério de Jesus

Jesus está começando a estruturação do seu ministério na terra

A partir de agora Jesus já começava a estruturação para a chegada do Reino de seu Pai aqui na terra. Os alicerces e as colunas para implantação deste reino já começavam a ser identificados. Cristo sem dúvida era a pedra de esquina, a pedra principal de todo este complexo estrutural. Mas Jesus precisaria de uma equipe. E ele começa a escolha dos doze companheiros, discípulos que estariam com ele para aprender e continuar a fazer o que ele Jesus veio fazer, anunciar a chegada e a implantação do reino de Deus na terra.

A partir daqui Jesus começa a caminhar lado a lado com os seus discípulos, sua equipe de trabalho. Os doze foram escolhidos para aprenderem mais de perto de Jesus. Os doze foram escolhidos para serem as colunas de fundação da chegada do reino de Deus na terra.

Lucas 6: 12 - E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. 13 - E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos: 14 - Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 - Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16 - E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

Jesus estava se preparando para a ampliação do seu ministério terreno, e as multidões o seguiam, sua fama se espalhava por todos os lugares.

Lucas 6: 17 - E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judéia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, 18 - Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados. 19 - E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.

Marcos 3: 7 - E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galiléia e da Judéia, 8 - E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele. 9 - E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse, 10 - Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. 11 - E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. 12 - E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem. 13 - E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. 14 - E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, 15 - E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: 16 - A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, 17 - E a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; 18 - E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote, 19 - E a Judas Iscariotes, o que o entregou. 20 - E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão.

Jesus estava aplicando a triplicidade de seu ministério (pregar , ensinar e curar)

Jesus Cristo volta para sua base e esta se preparando para a sua segunda viagem de milagres.

1.     Agora ele tem uma base operacional (Cafarnaum)
2.     Uma equipe de doze homens
3.     Uma multidão de seguidores
4.     E uma multidão de inimigos declarados os fariseus e doutores da Lei que estão procurando como matá-lo.

É de suma importância que você entenda esta abrangência do ministério de Jesus, para poder compreender o texto que vamos estudar.

Somente dois dos biógrafos de Jesus vão falar sobre este milagre da cura do servo do centurião, Mateus e Lucas. Porém Lucas apresenta o texto com mais detalhes e com mais profundidade que Mateus, apesar de que cada um deles tem as suas peculiaridades, sua importância e motivos de escrita. Mas sem um eu não interpreto corretamente o outro, eu preciso de um texto para entender o outro.

1º - Jesus está em sua base operacional, lembra-se dela? Cafarnaum.

Lucas 7: 1 - E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo. 3 - E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
Este texto é muito interessante pela forma como Lucas escreve, hilário pela situação constrangedora que os fariseus vão ter que passar, e profundo pela atitude de fé de um gentio que acreditou na palavra de Jesus.

Em Cafarnaum Jesus pregava na sinagoga, e havia feito muitos milagres extraordinários que marcaram muitas vidas naquela cidade. Jesus esta voltando para Cafarnaum e neste texto nós vamos encontrar a história de um centurião romano, cujo seu servo a quem ele estimava muito estava muito enfermo. Cafarnaum não era uma cidade de muita importância, mas era um posto comercial muito importante, era uma cidade estratégica, pois quando Cezar e o Império Romano dominaram a Palestina foi colocado em Cafarnaum um posto de guarda especial para que Cezar tivesse o domínio daquela região e de toda parte marítimo. Naquele lugar ele colocou sua guarda especial à centúria

O que era um ser um centurião?

1.     Quem liderava a centúria era chamado de centurião.
2.     A centúria era formada por soldados especiais, servindo ao Império Romano com toda a fidelidade.
3.     Para se chegar a ser um comandante de uma centúria e receber o nobre título de centurião era necessário uma média de uns quinze anos de serviço prestado a Roma, alguns demoravam mais de vinte anos.
4.     A centúria era uma guarda especial que Julio Cezar havia organizado, uma das mais violentas guardas do império romano devido o seu treinamento intenso. Homens de guerra, que haviam passado por grandes experiências militares e de combates.

Vejamos alguns detalhes:

1.     Centurião vem da palavra “centúria” que era a designação para todos os oficiais militares romanos que tinham sob seu comando cem soldados.
2.     A Centúria era formada por um quadrado de 10 fileiras de 10 homens cada, dando o total de 100 soldados.
3.     O centurião era o comandante responsável por comandar a centúria. Líder de soldados altamente treinados para obedecer a qualquer ordem dada pelo seu Comandante.
4.     Homens que sabiam o que era obedecer, liderança, hierarquia, autoridade e palavra.


2º - O servo do centurião estava enfermo -  Luc 7.1,2

Lucas 7: 1 - E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2 - E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.

Este texto mostra um homem que amava e estimava muito como um filho o seu servo que estava muito doente. A história nos diz que este centurião romano era Marcus Lucius. Este era filho de um oleiro e muito conhecido em Roma. Esse centurião chefe de Cafarnaum era enérgico, digno e muito justo no que fazia. Marcus Lucius deixara a vida civil e se alistara nas poderosas legiões romanas.
Correto, disciplinado e valente como todo soldado. Fez carreira alcançando o posto de Centurião.
Nessa condição, fora mandado servir na Judéia e se encontrava em Cafarnaum como chefe das tropas. Marcus Lucius, representava o poder de Roma, o poder de Tiberius, Claudius, Nero e César.

Porque estava sozinho, distante de casa, da esposa e dos filhos que haviam ficado em Roma, tinha em seu poder um servo, era um mendigo que encontrara na estrada e levou como seu servo.Entre os romanos, valor nenhum tinha um servo. Se morresse, era logo substituído por outro. Afinal, entre os romanos, era direito tomar outro homem a seu serviço. No entanto, o centurião era um homem diferente, e quando adoeceu seu servo, tornou-e de compaixão a ele. Levantava-se pela madrugada e o ia ver. Ao perceber que a febre alta o devorava, uma noite, percebendo o servo a delirar, parecendo viver ultimas derradeiras horas de vida, o bom centurião, ouviu a falar de Rabi, Jesus que andava pela Judéia. Procurar Jesus era contradizer toda a sua lógica de entendimento, seus ensinos sobre os deuses romanos. Na sua concepção romana de crença e fé o
s deuses são seres relativamente superiores aos homens.
1.     Nesse ponto, muitos dos deuses até foram humanos e que posteriormente se tornaram deuses. Como Hércules um homem com poderes sobrenaturais.
2.     Essa limitação aos deuses fornece às pessoas um piedoso sentimento de imitar e até competir com esses mesmos deuses.
3.     Essa capacidade de tentar imitar, ou aspirar competição, origina-se certas virtudes, tais como a vitalidade, a coragem, a magnanimidade, o amor à liberdade e todas as virtudes que faz do homem um ser nobre e grande.
4.     Eles possuíam seus heróis pagãos como Hércules, Teseu, Heitor e Rômulo. Esses heróis, que eram constituídos com superpoderes e se destacavam por suas bravuras, coragem, força e incorruptibilidade, travavam guerras sangrentas contra monstros e tiranos com o intuito de defender de suas pátrias e povos, e, as histórias dos seus atos heroicos eram motivos de orgulho e espelhamento.
5.     Um exemplo de como essas virtudes atinge o homem, foi o caso de Alexandre "O grande", pois, as expedições militares feita por ele, foram motivadas pelas histórias de força e bravura dos heróis e Hércules e Baco.
Na concepção judaica havia o monoteísmo
Esta visão monoteísta de um único Deus é inaceitável para um romano, mas este centurião depois de tantas experiências contrárias em sua vida, agora vivenciava momentos extraordinários em sua vida, pois eles até estava participando de cultos na sinagoga, dar ofertas na sinagoga, ajudar a construir a sinagoga. Ele passa a ouvir sobre este único Deus único e verdadeiro, que esta acima de todos os outros deuses que ele já havia conhecido ou ouvido falar. E agora ele não só ouve deste Deus mas começa a ouvir sobre o Messias , que viria para libertar os oprimidos e os cativos. E que este Messias era Jesus que estava morando em Cafarnaum e que era um homem, mas ao mesmo tempo era Deus.
Neste momento o centurião vivia um momento avassalador em sua vida. De dor, de crise, de angústias pois estava sendo atormentado pela dor da enfermidade do seu servo tão amado. Fez o que podia e o que não podia para ver a melhora de seu servo, segundo a história levantava-se pela madrugada e ver como estava a febre. Esta era cada vez mais alta e não passava, em uma noite sombria o servo começou a delirar, parecendo viver as ultimas derradeiras horas de sua vida. Atormentado pela febre alta ele já não sentia mais as pernas e veio a ficar sem poder andar.
Pr. Ezequiel Barbosa
@ezequielbarbosa.com